Quer fazer a economia circular acontecer? Disrupção e novas tecnologias são palavras-chaves para isso

O conceito de economia circular é uma evolução da economia linear tradicional, e de certa forma se contrapõe a ela. Nela, tanto os produtos quanto seus ciclos de produção são orientados para sustentabilidade. Circular porque propõe reduzir gradualmente o uso de recursos finitos e a eliminação dos resíduos após o uso ou vida útil, assim como a transição para um modelo baseado no uso de fontes de energia renováveis. 

A transformação digital possibilita a criação, a extração, o processamento e o compartilhamento de dados a partir de sensores, dispositivos conectados e plataformas online que viabilizam um uso mais inteligente dos recursos.

Essa transição não acontecerá apenas com ajustes pontuais para reduzir os impactos no meio ambiente. Ela requer uma mudança disruptiva que vai gerar novos negócios com o uso das novas tecnologias.

Sensores colocados nos produtos, por exemplo, podem fornecer dados sobre os componentes em tempo real, antecipando a ocorrência de falhas e sinalizando a necessidade de manutenção, reparo ou substituição. Isso permite a manutenção preditiva e aumenta a vida útil dos produtos.

Ela possibilita também novos formatos de negócio, como a venda e o uso de equipamentos e produtos por assinatura. Um formato mutuamente benéfico: as empresas garantem receita contínua e têm um incentivo para ampliar a vida útil de seus produtos, enquanto os consumidores pagam por eles enquanto os usam.

As tecnologias digitais também podem estimular padrões de consumo mais sustentáveis. Por exemplo, aplicativos de smartphone podem ser usados para ler o passaporte digital de um produto, fornecendo informações sobre os materiais e recursos usados para sua produção, juntamente com sua durabilidade, reutilização e reciclagem.

Compartilhamento

De acordo com dados do IDC, é possível reduzir em 28% o custo de criação de materiais digitais ao eliminar esforços duplicados, reduzir o número de materiais que são criados, mas não usados e possibilitar sua reutilização.

Outra possibilidade é o conceito de manufatura compartilhada, em que empresas que possuem máquinas ociosas as oferecem para outras que tenham demanda. E isso por meio de uma plataforma tecnológica, responsável por conectar as partes interessadas, formalizar os acordos de prestação de serviços e acompanhar o processo de produção. “É a cultura de reaproveitamento que estimula a inovação, criatividade e colaboração”, afirma o especialista em tecnologias digitais Arie Halpern.

Além disso, isso também pode ser aplicado em relação aos bens físicos usados no trabalho – como computadores, HDs, smartphones, entre outros. Por fim, também é possível obter um ganho de energia com a facilitação do trabalho dos profissionais.

A aplicação da economia circular necessita de uma reorganização dos processos e da mudança da filosofia para uma valorização do reaproveitando, promovendo mais eficiência e menos danos ao meio ambiente.