“A realidade virtual tornou-se uma aliada no combate a diferentes fobias”, diz Arie Halpern

 

O jornalista de tecnologia Alex Wood, do portal The Memo, tem medo de agulha e pavor a sangue. Como é diabético, defronta-se todo dia com os objetos de sua fobia. Para livrar-se do problema, Wood tem se submetido a sessões de terapia em que assiste a vídeos em 360º, acompanhado de seu psicólogo. Os vídeos simulam situações que lhe causam ansiedade. Em uma delas, ele se encontra em uma sala à espera do momento em que vão lhe aplicar uma injeção. A realidade virtual neste caso desempenha função semelhante à de sessões de hipnose, recurso usado por algumas correntes terapêuticas para levar o paciente a experimentar os sintomas de sua doença em situação controlada e, assim, buscar o caminho da cura. “A realidade virtual se tornou uma aliada no combate a diferentes fobias”, diz Arie Halpern, economista e empreendedor com foco e inovação e tecnologias disruptivas.

As fobias são medos desproporcionais que podem debilitar profundamente os pacientes, invadindo a normalidade de suas rotinas, custando-lhes muitas vezes mudanças drásticas na vida. Elas são mais comuns do que parecem. Na Austrália, por exemplo, cerca de uma em cada dez pessoas tem algum tipo de fobia. Nos Estados Unidos, estima-se que haja aproximadamente 23 milhões de pessoas com fobia, o equivalente a quase toda a população australiana.

As fobias diferem do medo comum porque levam as pessoas a mudar de comportamento para evitar as situações fóbicas, explica Brenda Widerhold, psicóloga do Centro Médico de Realidade Virtual, na Califórnia. Segundo ela, a realidade virtual tem se tornado uma alternativa cada vez mais popular à hipnose e à terapia convencional nesse tipo de tratamento. A realidade virtual como auxiliar da terapia permite colocar pacientes em situações fóbicas que de outra forma seriam difíceis de reproduzir, como o medo de altura, de tempestade ou de voar de avião.

A fobia aos aviões é das mais comuns. Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, atinge cerca de 6,5% da população, algo em torno de 20 milhões de habitantes norte-americanos. No Brasil, um tratamento para esses casos foi desenvolvido por uma clínica especializada em São Paulo, onde o paciente passa por todas as etapas de um voo em simulação VR – tudo com óculos especiais, sistema de som e uma poltrona.

Outras questões complexas do ponto de visto psicológico também podem ser trabalhadas com ajuda da tecnologia. Albert Rizzo, diretor de realidade virtual médica do Instituto de Tecnologias Criativas da Universidade do Sul da California, utiliza-a no atendimento a soldados com traumas de guerra. Segundo ele, a terapia tradicional para tratar estresses pós-traumáticos requer que a pessoa se imagine em alguma situação relacionada ao trauma. No entanto, “é difícil esperar que alguém crie uma imagem mental de algo que está tentando evitar”, explica ele. “Com a tecnologia VR, nós inserimos a pessoa em uma situação virtual simulada, onde o clínico pode controlar em tempo real o ambiente e a ação”.


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