Reciclar smartphones? Conheça alternativas para reduzir o problema do lixo eletrônico

O que faria as pessoas descartarem corretamente aparelhos eletrônicos que não desejam mais? Além disso, o que levaria as empresas de tecnologia a reciclarem mais seus produtos?

A holandesa Closing the Loop (CTL), especializada na reciclagem de equipamentos eletrônicos, anunciou recentemente um acordo com a Vodafone da Alemanha, no qual a empresa de telecomunicações promete subsidiar a reciclagem de um celular ou smartphone para cada novo aparelho vendido a seus clientes. Chamada de One for One, a iniciativa resultará na compra de 1 milhão de dispositivos irreparáveis por ano, utilizando redes de coleta baseadas em Gana, Nigéria e Camarões.

Os executivos da CTL apostam que essa modelagem de projeto tem grande potencial e deve atrair mais companhias de telefonia móvel e fabricantes de smartphones, pois está alinhado aos princípios ESG (Environmental, Social and Governance) adotado por um número cada vez maior de empresas. Para a Vodafone, o acordo é um passo importante em prol da destinação adequada de produtos e contribui para a reputação corporativa, atraindo a simpatia de clientes preocupados com questões ambientais e sociais.

Esse acordo com a Vodafone é o maior já assinado pela companhia de reciclagem, que já trabalhou com a Samsung e com a empresa T-Mobile, de telecomunicações, na Holanda, em menor escala e em ação restrita a um dos modelos da fabricante sul-coreana.

O tamanho do problema… e algumas alternativas

A Global E-Waste Statistics Partnership estima que a produção global de lixo eletrônico atinge 50 milhões de toneladas por ano. Desse total, ainda de acordo com a entidade, apenas 20%, aproximadamente, desse montante é reciclado. Porcentual insuficiente para frear o crescimento em escala dessa categoria de lixo. No caso do Brasil, os dados de 2019 apontam para 2.143 toneladas desse tipo de passivo ambiental.

Em vez de acabar em aterros sanitários, esses dispositivos são reciclados profissionalmente para extrair ouro, prata, cobre e cobalto que podem voltar à circulação na fabricação de outros aparelhos, em diferentes indústrias.

O descarte em aterros sanitários é uma solução ambientalmente incompleta, mesmo diante de medidas de contenção de danos adotadas nesse tipo de instalação. Ocasionalmente, os produtos químicos tóxicos decorrentes da decomposição de eletroeletrônicos podem se infiltrar no solo. Além disso, há ainda a formação de gases, como o metano, que contribuem para o efeito estufa e as mudanças climáticas.

A reciclagem profissional de eletroeletrônicos ainda é uma atividade sem ganho de escala suficiente para que se torne economicamente atrativa. Ou seja, enquanto esse mercado se desenvolve, a reforma de alguns aparelhos pode ser o melhor caminho.

Representantes da iniciativa iFixit – uma espécie de enciclopédia aberta sobre reparos – defendem que a reciclagem deve ser o último recurso, somente empregado após repetidos processos de recondicionamento, como troca de processadores, telas, baterias e ampliação e atualização de memória.

Para aumentar a aplicabilidade das soluções de recondicionamento, soluções de engenharia de produto precisam vir ao mercado, como padronização de número e disposição de pinos de componentes eletrônicos.

“Um salto disruptivo – e sustentável – em desenvolvimento de novos gadgets é encontrar soluções que eliminem a produção de lixo eletrônico”, conclui Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.