Redução do aquecimento global demanda tecnologia para retirada de CO2 do ar

Os efeitos cada vez mais evidentes do aquecimento global e da ameaça que isso representa para a nossa sobrevivência pressionam cada vez mais pela busca de soluções para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e descarbonizar a economia. Nos últimos anos, temos visto uma sucessão de novas tecnologias e formas mais limpas eficientes de produção, sob o ponto de vista energético.

Evitar as consequências catastróficas da mudança climática passa tanto por reduzir as emissões de gases de efeito estufa quanto pela retirada de parte dos gases que já estão na atmosfera ou que não podem ser evitados. Neutralizar as emissões passa inevitavelmente por processos de captura e armazenamento de gás carbônico (CO2). É o chamado sequestro de carbono ou Carbon Capture and Sequestration (CCS), em inglês. É literalmente, tirar CO2 do ar e reutilizá-lo ou transformá-lo.

Capturar o gás carbônico e reaproveitá-lo é uma técnica conhecida e usada na indústria de petróleo, por exemplo, há algumas décadas. No processo de extração, o CO2 é retirado e reinjetado nos poços, melhorando a produtividade. Mas, como o objetivo agora é diferente, usar este processo como arma de combate ao aquecimento global, há divergências quanto à sua eficácia. A principal delas é que ela é diretamente ligada a uma fonte poluidora e que, no caso da indústria de petróleo, por exemplo, acaba gerando novas emissões.

De acordo com o Global CCS Institute, um think thank dedicado à tecnologia, existem cerca de 65 plantas em operação ou em desenvolvimento no mundo. Um número ainda muito pequeno se considerarmos o volume de CO2 emitido que precisa ser sequestrado.

Captura e armazenamento de carbono diretamente do ar

A alternativa é a captura e o armazenamento de carbono direto do ar (Direct Air Carbon Capture and Storage – DACCS), uma tecnologia relativamente nova, que permite remover grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera. Porém, extremamente complexa, que requer projetos em grande escala e com custos elevados.

Recentemente, pesquisadores do The Paul Scherrer Institute – PSI, da Suíça, analisaram cinco diferentes processos de captura direta de CO2 para verificar a eficácia em reduzir a emissão de gases de efeito estufa. O resultado indicou que, dependendo da combinação entre a tecnologia usada e as condições, a remoção pode superar 90%.

O problema é que em alguns dos processos, os equipamentos e a temperatura necessários para capturar e armazenar o gás carbônico causam novas emissões. Ou seja, o uso só faz sentido se essas emissões forem significativamente menores do que as quantidades de CO2 que ela ajuda a armazenar. E se forem usados como maneiras complementares a outras formas de descarbonização. Um paradoxo que talvez possa ser superado com o avanço das várias empresas e startups que estão buscando formas de sequestrar CO2 em diferentes países.

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