Relatório de métricas do Facebook reacende debate sobre o que é mais importante: visualização ou engajamento?

O Facebook decidiu divulgar um relatório com os posts mais populares, ou mais vistos, em sua plataforma, nos Estados Unidos, no segundo trimestre do ano. Intitulado relatório de conteúdo amplamente visualizado (widely viewed content reports, no original), ele será divulgado trimestralmente.

A iniciativa do Facebook não tem como objetivo identificar tendências emergentes, mas sim fazer frente às críticas de que seus algoritmos são uma caixa preta e de que serve como canal para divulgação de fake News,  contribuindo para a desinformação.

O fato é que a iniciativa gerou ainda mais polêmica e novas críticas, acrescentando novos tópicos ao debate acerca dos limites e responsabilidade sobre o conteúdo que circula nas mídias sociais.

O relatório conclui que apenas 6% do conteúdo visto pelos usuários é político, contrapondo a alegação de que o conteúdo político de direita é dominante no Facebook. A predominância desse tipo de conteúdo, no entanto, pode ser verificada na ferramenta de medição de engajamento da própria rede social, Crowdtangle.

Para justificar, o relatório tenta estabelecer uma distinção entre os assuntos que são mais vistos e os que mais geram engajamento, ou seja, curtidas, comentários e compartilhamentos. Para os executivos, os dados de alcance, que medem quantas pessoas veem uma determinada postagem, é uma métrica mais relevante. Eles também alegam que vêm tratando a desinformação com afinco, já tendo removido mais de 18 milhões de posts com conteúdo falso desde o início da pandemia da covid-19.

Política de transparência

Outra nova métrica trazida pelo levantamento é que 87% das postagens visualizadas não incluíam um link externo. Mas, assim como a discussão sobre se o conteúdo lido é mais relevante que o curtido ou compartilhado, a inclusão ou não de um link externo também não parece acrescentar muito ao debate sobre a influência do que é publicado nas redes sociais.

Os críticos continuam afirmando que o Facebook e outras plataformas tornem públicas para qualquer pessoa os dados sobre acessos e conteúdo, adotando uma política verdadeiramente transparente, em vez de divulgar métricas selecionadas por elas próprias. “Apesar das críticas, o relatório pode ser um primeiro passo, ainda que tímido, para avançarmos no debate acerca da responsabilidade sobre as informações publicadas nas plataformas”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern.