Robô esteriliza ambientes com ondas UV de xenônio

Um dos principais cuidados que devem ser tomados para diminuir a possibilidade de contaminações pela covid-19, segundo os infectologistas, é a esterilização de ambientes. As superfícies de tecido, madeira, metais ou sintéticas, dependendo das condições, podem preservar os vírus ativos por algumas horas, permitindo a propagação da doença. Em ambientes de trabalho ou de lazer, há uma alternância de usuários, como hotéis, embarcações, clínicas e hospitais, e assim por diante, que podem ser pontos de vulnerabilidade, e, por isso mesmo, precisam de cuidados redobrados de descontaminação.

O problema é que, muitas vezes, o trabalhador responsável pela limpeza tradicional fica mais exposto ao vírus. E justamente nesses casos é que a tecnologia passa a ser uma aliada. Como o melhor que se pode fazer é minimizar a atividade humana no local contaminado, os robôs passam a ser os melhores aliados para o combate à doença. Um equipamento já em uso, capaz de desinfetar ambientes por luz ultravioleta de xenônio pulsado (PX-UV), mostrou ser muito eficiente para a eliminação do SARS-CoV-2, o vírus causador da covid-19.

A comprovação foi feita por meio de uma pesquisa da Universidade do Texas, em conjunto comcientistas de outras universidade norte-americanas, e com a empresa fabricante do robô, a Xenex. O estudo foi publicado na revista científica medRxiv. O robô, chamado LightStrike, precisa de dois minutos para atingir  um grau de desinfecção de 99,99%, segundo os especialistas. O equipamento utiliza uma fonte de xenônio para gerar rajadas de luz UVC de espectro germicida total de alta intensidade (200-315nm), mais intensa que a luz solar. “A crise de saúde mais importante dos últimos 100 anos está motivando as empresas de tecnologia a oferecer soluções que se mostrem ao mesmo tempo eficazes e que possam ser replicadas em larga escala”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. “E a área da robótica vai experimentar um salto em sua disseminação exatamente porque ajuda a evitar o contato humano em áreas contaminadas, se tornando fundamental para este momento de emergência”, completa Halpern.

Espectros de luz

O ajuste dos equipamentos de desinfecção deve ser feito para cada diferente patógeno. Os vírus, fungos e bactérias que podem causar doenças em humanos reagem de forma específica a cada comprimento de onda. A maior parte deles é suscetível a desaparecer com a exposição à luz visível, mas outros, como é o caso do vírus da covid-19, precisa de um comprimento em ultravioleta.

 

Com informações: Xnex; Universidade do Texas; medRxiv, OMS.