Robôs criados pelo MIT aprendem tarefas observando humanos

A pia da cozinha está limpa e organizada, a mesa de jantar posta, esperando os moradores da casa chegarem do trabalho. Quem realizou as tarefas não foi um dos membros da família ou um funcionário doméstico, mas um robô. Esse sonho, que já vem de algumas décadas, pelo menos nas obras de ficção científica, ganhou um novo componente na última semana com um anúncio feito por pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology, o MIT. Não só os robôs do futuro terão a habilidade de realizar tarefas sofisticadas, como as que são exigidas nos cuidados do lar, como aprenderão a fazê-las observando os humanos, sem que seja necessária uma programação específica para cada caso.

O nome desse modelo de aprendizagem é “Sistema de Planejamento com Especificações Incertas”, e seu objetivo é dotar as máquinas da capacidade de avaliar simultaneamente muitos requisitos ambíguos, eventualmente contraditórios, e, mesmo com essas dificuldades, fazê-las tomar decisões com base na “crença” de que estão agindo da maneira mais adequada. Quando fica “em dúvida”, o robô acessa um banco de memória que o faz tomar o caminho mais adequado pela imitação daquilo que já era feito anteriormente

“Esse é um passo importante para termos em algum tempo uma inteligência artificial muito mais funcional, uma vez que um dos principais gargalos hoje está no fato de serem necessárias programações específicas e muito sofisticadas para cada tarefa”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. “Com essa novidade, a programação pode se tornar algo muito mais intuitivo, e abrir um enorme campo para usuários comuns passarem tarefas novas para as máquinas”, completa.

 

Arrumando a mesa

Os pesquisadores fizeram testes com informações sobre oito objetos: caneca, copo, colher, garfo, faca, prato de jantar, prato de sobremesa e tigela. Um braço robótico primeiro observou demonstrações humanas pré-selecionadas, e depois foi colocado para arrumar a mesa, mesmo tendo de lidar com os itens embaralhados ou ocultos propositadamente. Seguindo o modelo de observação, o sistema obteve sucesso onde os mais sofisticados sistemas inteligentes já desenvolvidos falhariam.

 

Com informações: Phys; MIT; The New York Times