Robôs flexíveis imitam movimentos de seres vivos

Quando usamos a palavra “robótico” podemos estar nos referindo a sistemas automatizados, mas também como adjetivo a algo rígido, sem flexibilidade. Os robôs de lata que povoam o imaginário da ficção científica realmente não têm lá muito “jogo de cintura”, como o personagem Homem de Lata do clássico O Mágico de Oz, de 1939. No entanto, uma série de pesquisas nas principais universidades do mundo está procurando mudar esse conceito, superando assim as limitações impostas por materiais rígidos à funcionalidade dos equipamentos.

Os engenheiros da Universidade da Califórnia em San Diego desenvolveram uma maneira de construir robôs flexíveis, compactos, portáteis e multifuncionais. O trabalho foi divulgado no dia 11 de outubro pelo periódico especializado Science Advances. Num primeiro momento, os pesquisadores construíram um robô macio ligado a uma bateria própria e a microchips, que pode andar por superfícies planas e mover objetos. A pesquisa desenvolveu ainda uma pinça flexível capaz de pegar objetos pequenos.

Até agora, o gargalo para a construção de robôs flexíveis é que eles eram volumosos. Isso ocorria porque os movimentos eram controlados pelo bombeamento de ar ou fluidos em câmaras internas. Dessa forma, eles precisavam ser conectados a bombas e grandes fontes de energia. A novidade é que os pesquisadores americanos conseguiram controlar seus movimentos com eletricidade, em um material chamado “elastômetro de cristal líquido”, ou, de forma mais prosaica, “músculos artificiais”. O que há de especial nesses materiais é que eles mudam de forma, se movem e contraem em resposta a estímulos como calor ou eletricidade — semelhante à forma como os músculos se contraem em resposta a sinais das células nervosas.

“Essa novidade é mais do que bem-vinda no mundo da robótica”, avalia o especialista em tecnologias Arie Halpern, para quem uma fronteira está sendo rompida, com consequências importantes para o desenvolvimento de futuros equipamentos. “As limitações que se verificavam para procedimentos de nanorrobótica, especialmente na área de saúde, podem estar ficando para trás”, diz.

Mais velocidade

A equipe agora está trabalhando na criação de atuadores flexíveis que podem se mover mais rapidamente. Os atuais levam cerca de 30 segundos para dobrar-se e contrair completamente, e até quatro minutos para retornar às suas formas originais. Isso ocorre porque o material demora para aquecer e esfriar até o ponto crítico. O objetivo final é criar atuadores que possam contrair e relaxar tão rapidamente quanto os músculos humanos.