Robôs garantem entregas sem interação pessoal e ganham as ruas

A pandemia da Covid-19 e as medidas para o enfrentamento da doença desaceleraram a economia globalmente e fizeram com que muitas empresas tivessem que adiar planos e redirecionar seu foco. Em outros casos, as novas necessidades que surgiram nesses tempos de distanciamento social estão acelerando ou criando novas soluções.

A exemplo da telemedicina, regulamentada rapidamente em vários países e cujos atendimentos se multiplicaram, os serviços de entrega por meio de robôs autônomos estão ganhando as ruas. Os 200.000 habitantes da cidade de Milton Keynes, a 80 quilômetros ao noroeste de Londres, podem receber refeições e produtos sem a necessidade de interação humana. Uma espécie de carrinho, com 70 centímetros de comprimento e 60 cm de altura, que circula com velocidade em torno de 6 quilômetros por hora pelas calçadas, faz entregas aos moradores confinados em suas casas.

O pedido é feito em supermercados ou restaurantes por meio de aplicativos com pagamento digital e o consumidor identifica num mapa interativo o local de entrega. Assim como os carros autônomos, os robôs são dotados de sensores e usam inteligência artificial e aprendizado de máquina para se deslocar e armazenar as rotas. Eles são monitorados remotamente e, se necessário, podem receber comandos. Ao chegar ao destino, o compartimento onde estão os produtos é destravado pelo celular e, quando retornam ao estabelecimento, são devidamente limpos e desinfetados.

Essa é a primeira operação comercial do modelo desenvolvido pela startup Starship Technologies. A empresa vinha testando os robôs desde 2015, em áreas limitadas, como em campus universitários. Com o isolamento compulsório para impedir o avanço do novo coronavírus, algumas cidades aceleraram a aprovação e a regulamentação do uso dos equipamentos com o objetivo de oferecer uma opção segura para seus habitantes abastecerem suas casas e possibilitar que estabelecimentos comerciais mantenham suas atividades. Recentemente, com a aprovação de legislação local, os robôs chegaram em outras cidades nos Estados Unidos, como Fairfax, Washington, D.C., Mountain View e Irvine.

 

Robôs de entregas chegam antes dos drones

“A pandemia da Covid-19 – e, consequentemente, a necessidade de reduzir a interação pessoal — acelerou a adoção de robôs para entregas autônomas que se tornou uma realidade antes mesmo dos drones, até pouco tempo anunciados como tendência natural e iminente no comércio eletrônico”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

A Amazon que chegou a anunciar o lançamento do serviço de entregas com drones começou a testar, no ano passado, o uso de robôs na região próxima à sua sede, em Seattle, nos Estados Unidos. E, agora, deve ampliar a operação. O robô, batizado Scout, deve ganhar as ruas de cidades no estado da Virgínia, cuja administração aprovou há poucos dias uma legislação que permite o trânsito em calçadas e nas faixas de pedestres.

Outra iniciativa é a da empresa de entregas Rappi, que anunciou há poucos dias um piloto de entregas com robôs na cidade de Medellín, na Colômbia. Com uma frota de 15 robôs, desenvolvidos pela americana KiwiBot, a Rappi vem fazendo em média 120 entregas por dia.

Apesar de serem uma solução ideal em meio à pandemia, o uso dos robôs vem gerando uma série de controvérsias, como o uso do passeio público, a preferência aos pedestres nas calçadas e faixas de segurança, responsabilidade em caso de acidentes e, inclusive, a ameaça ao emprego de entregadores.