Robôs proporcionam mais eficiência e segurança em procedimentos de saúde

O colapso dos sistemas de saúde é o maior risco da pandemia causada pelo novo coronavírus. A limitação da quantidade de leitos e equipamentos, como respiradores, são duas variáveis nesta complexa equação. A terceira é a disponibilidade de profissionais que atuam na área da saúde, médicos, enfermeiros, assistentes e pessoas responsáveis por atividades administrativas e de manutenção.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em alguns países, 1 em cada 10 trabalhadores da área da saúde estão infectados pelo novo coronavírus, reduzindo o contingente de profissionais críticos no combate à pandemia. Alternativas para reduzir ao máximo o contato humano se tornam uma prioridade, principalmente devido à escassez de equipamentos de proteção.

Em hospitais, robôs dotados de inteligência artificial usados para levar medicação e refeições aos pacientes, recolher lençóis usados e lixo, entre outras tarefas, vêm ajudando a reduzir a carga de trabalho e contribuindo para manter a distância de segurança entre médicos e pacientes infectados, reduzindo o risco de transmissão cruzada.

“O uso de robôs está provocando disrupção no setor de saúde”, afirma Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas. E acrescenta, “além de assumir tarefas rotineiras, possibilitando que médicos e outros profissionais se dediquem a demandas mais complexas, eles proporcionam maior precisão e segurança aos procedimentos”.

 

Tarefas rotineiras e desinfecção de ambientes e superfícies

Com nomes como TUG e Little Peanut, os robôs são capazes de abrir portas, usar os elevadores, planejar a melhor rota, desviar de objetos em seu caminho, armazenar dados sobre os pacientes e gravar em vídeo tudo o que fazem. No Guangdong Provincial People’s Hospital, na China, dois robôs, batizados Ping Ping e An An, substituem o trabalho de três pessoas na distribuição de medicação. Eles ainda são dotados de um mecanismo para desinfecção própria, com o qual esterilizam sem segundos seu interior e exterior.

O uso de robôs proliferou também em aeroportos, em adição aos sensores que medem a temperatura, os sinais vitais e sintomas da Covid-19, como tosse, de quem desembarca, e em hotéis que vêm sendo usados para manter pacientes com sintomas leves em quarentena.

Nos Estados Unidos, alguns aeroportos estão usando o robô GermFalcon para desinfetar os aviões após o desembarque dos passageiros. Desenvolvido pela Dimer UVC, ele usa raios ultravioleta (UVC) para matar vírus e bactérias nas superfícies e no ar e possui um sistema de lâmpadas que possibilita atingir áreas minúsculas, mesmo dentro da cabine.

Embora a tecnologia já fosse comum em salas de cirurgia e outras áreas em hospitais, o tamanho dos equipamentos limitava o uso em ambientes menores ou com pouco espaço de circulação. Agora, outros fabricantes, como a também Americana Xenex, rapidamente mobilizaram suas equipes para avaliar protocolos de desinfecção e adequações para atender as especificidades no combate à Covid-19.

Há algumas semanas, robôs assumiram completamente um hospital de campanha instalado num centro de esportes em Wuhan, na China. Na recepção, dispositivos dotados de tecnologia 5G mediam a temperatura de quem chegava. Outros, faziam a medição dos níveis de oxigênio no sangue por meio de pulseiras usadas pelos pacientes. Foram usados robôs até para orientar a realização de exercícios físicos e oferecer atividades de entretenimento.

Por meio de uma plataforma de controle, a “equipe” de robôs era programada e monitorada por profissionais de saúde. A experiência serviu para evidenciar a utilidade desses equipamentos de inteligência artificial para preservar a saúde e tornar mais eficientes os sistemas de saúde em meio à pandemia do Covid-19.