Robôs vivos, feitos de células-tronco, provocam debate

Pesquisadores da Allen Discovery Center, na Tufts University, em Massachusetts, criaram os primeiros robôs vivos a partir de células de sapos africanos. A pesquisa foi publicada durante esta semana no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Os cientistas soltaram robôs em pratos d’água e observaram como eles rastejavam em linha reta, moviam-se em círculos ou se uniam a outros do mesmo tipo.  Essas formas de vida são programáveis e nunca haviam existido na Terra. A pesquisa foi patrocinada pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos EUA, que visa recriar processos de aprendizagem biológica em máquinas. No futuro, os robôs poderiam ser usados para limpar os oceanos, localizar e digerir materiais tóxicos, administrar remédios no corpo ou remover placas das paredes das artérias, por exemplo. Quando danificados, os robôs vivos têm capacidade de regeneração, e se desfazem quando sua tarefa é concluída.

Os cientistas usaram um algoritmo evolutivo para criar milhares de desenhos aleatórios, simulando células epiteliais e células cardíacas. Os robôs, com menos de 1 mm de comprimento, são projetados por um algoritmo que gera configurações 3D aleatórias. Cada item é então testado em um ambiente virtual, realizando tarefas atribuídas pelos cientistas, e os melhores são escolhidos.

As pesquisas que unem robótica, Inteligência Artificial (AI) e material biológico, sem dúvida são uma fronteira muito promissora das ciências, e podem ser úteis para uma série de fins. No entanto, naturalmente elas suscitam discussões éticas. Quando os humanos lidam com pesquisa nesse nível sempre estão de uma forma ou outra questionando os limites daquilo que é ou não vivo, além de introduzir no mundo seres que foram artificialmente criados, e que em tese um dia poderiam se reproduzir e interagir com o ambiente. De toda forma, a proibição de pesquisar e conhecer não é um bom caminho, mas a curiosidade deve sempre ser temperada com bom senso, e levada adiante passo a passo, com transparência e conhecimento da sociedade, para que tenhamos um resultado melhor para todos.

Com informações: Allen Discover Center; PNAS; The Guardian