Ser uma startup lean é uma boa estratégia para tempos de crise, afirma Arie Halpern

Ser uma startup lean é uma boa estratégia para tempos de crise, afirma Arie Halpern

Nenhum empreendedor, em sã consciência, seria favorável ao desperdício na condução de uma empresa. No entanto, fazer o contrário – ou seja, operar de maneira enxuta – não é uma tarefa tão fácil se quisermos, ao mesmo tempo, manter a eficiência do negócio. “Enxugar o investimento de uma empresa não é algo simples e, muitas vezes, demanda a renovação de toda a estratégia de negócios, sobretudo em tempos de crise”, afirma Arie Halpern, economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas.  Eric Ries, pesquisador da Universidade de Hazard debruçou-se sobre essa questão e tomou emprestado da indústria o conceito de “lean” (enxuto) para lançar a ideia de “lean startups”.

Para ser enxuta, na visão do autor, a empresa deve submeter suas ações a um processo que permita a ela investir apenas o estritamente necessário para cada fase do negócio.  “Muitas startups fracassam porque gastam tempo demais ou de menos no desenvolvimento do negócio, ou porque investem recursos demais ou de menos. Encontrar a justa medida é o desafio proposto pela filosofia da empresa lean e uma excelente estratégia em tempos de crise”, diz Arie Halpern.

A abordagem das lean startups baseia-se em três pilares: construir, medir e aprender. Na fase de construção, a empresa iniciante pode ser lançada com o que Ries chama de MVP (do português, o Mínimo Produto Viável). O MVP é um produto que será oferecido apenas com recursos suficientes para permitir um feedback útil de seus primeiros usuários. Com isso, torna-se mais fácil para a empresa acelerar a sua comercialização com base nas respostas imediatas de seus clientes. Sem passar por essa fase, a empresa corre o risco de perder tempo, ter mais custos e não corresponder na hora “H”. Ries sublinha que o MVP pode dar a falsa impressão de uma atitude desleixada ou preguiçosa, mas é “por meio de uma série desses MVPs que será possível validar um conjunto de hipóteses sobre o que é o seu negócio, para onde ele está indo e o que deve ser feito”.

Após a fase de construção, mede-se o que deve ser feito a partir de então. Por fim, é hora de aprender com o que já foi realizado e responder a algumas questões: seguir a mesma estratégia? mudar algum ponto? ou simplesmente recomeçar do zero? Em poucas palavras, é preciso fazer bem o papel de pivô. Na linguagem de uma lean startup, o termo “pivotear” é comum e refere-se a uma grande mudança no direcionamento da empresa com base nos primeiros feedbacks. Fazer esse jogo e ter a humildade de dançar conforme a música é um grande teste para os investidores.

Nessa via, um exemplo famoso é o PayPal que começou como uma empresa de troca de dinheiro virtual entre dispositivos Palm e depois soube se posicionar novamente como uma startup e estabeleceu-se como referência em pagamentos e na transferência de dinheiro pela web.

O Dropbox também aprendeu com a metodologia das lean startups. O serviço de armazenamento e compartilhamento por nuvem promoveu algumas ações de marketing para angariar novos clientes, mas percebeu que gastava recursos, enquanto continuava atraindo usuários pelo boca a boca. A startup construiu um serviço, mediu as formas de promovê-lo e, uma vez identificado o erro, retomou os métodos de marketing mais convencionais que davam resultado no começo. O resultado? Em 15 meses, a empresa passou de 100 mil usuários registrados para 4 milhões. “Manter-se flexível para novos caminhos é um grande trunfo do bom empreendedor”, afirma Arie Halpern.

 


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