Smart cities buscam controlar poluição local com apoio em big data

A população mundial está rapidamente se concentrando em megacidades. Um estudo produzido por pesquiadores associados de duas universidades canadenses, de Ontário e Memorial de Newfoundland, indicou que no final de séc. 21 haverá, sobretudo no continente africano, aglomerações urbanas inconcebíveis para os padrões atuais: a terceira maior cidade do mundo será Dar es Salaam, na Tanzânia, com 73 milhões de habitantes; a segunda será Kinshasa, no Congo, com 83 milhões; em primeiro lugar estará Lagos, na Nigéria, que contará com uma população de nada menos do que 88 milhões de pessoas. O Brasil, que hoje tem em São Paulo a quinta maior região metropolitana do mundo, deve perder posições, e a capital paulista permanecerá com um contingente populacional bastante próximo do atual (nada modesto, sob qualquer critério), de 19 milhões de seres humanos em busca de trabalho, educação, lazer, afeto, realização…

De qualquer maneira, o padrão global apontado por este e por qualquer outro estudo do gênero é de um processo contínuo de urbanização, que vai requerer cada vez mais o desenvolvimento de soluções tecnológicas. Como lidar com o trânsito, com o abastecimento de água e alimentos, com o descarte de materiais comuns e especiais, com a poluição de rios e de praias? Estas questões são colocadas por cientistas e administradores públicos do mundo inteiro.

As respostas tecnológicas a estes desafios, contudo, começam a aparecer. Em todo o mundo, as cidades inteligentes, as smart cities como por vezes são chamadas, ganham corpo e consistência, e já começam a modificar padrões de vida. A base das cidades inteligentes é a interconexão de dados de várias fontes diferentes, que podem ser decodificados e transformados em decisões rápidas. Sua função mais evidente é no trânsito, um dos tormentos da metrópole. As redes automatizadas permitem controlar semáforos, desviar o fluxo de veículos de determinados locais, indicar caminhos alternativos aos motoristas – o que em parte já sabemos e utilizamos graças a alguns aplicativos muito difundidos. A tecnologia 5G, que já está implantada em parte da Coreia do Sul e dos Estados Unidos, abrirá novas possibilidades para que os sistemas de controle existentes em uma grande cidade se conectem em tempo real.

Embora nem sempre nos pareça evidente, uma das aplicações mais importantes desse nível de informação em big data pode ser no controle da poluição, um dos maiores tormentos para quem vive nas regiões metropolitanas, e uma preocupação para os agentes de saúde. Recentemente um artigo da Senior Manager da EDF+Business, Aileen Nowlan, chamou a atenção para isso. Tornar visível o invisível, ou seja, por meio da análise ultrarrápida de dados avaliar a poluição do ar que não pode ser vista a olho nu, é um dos princípios para a solução dos problemas. Os níveis de poluentes podem apresentar variações extremas em microregiões, por vezes dentro de um mesmo quarteirão. Nesse caso, políticas públicas e iniciativas particulares podem ser tomadas para se evitar a concentração de poluentes em determinados pontos, como as beiras de avenidas de tráfego intenso, utilizando-se recursos da engenharia ambiental. Isso sem falar em controles muito mais efetivos também sobre outras modalidades de poluição, como das águas ou sonora.

Sem dúvida há uma série de problemas a serem atacados quando se fala em espaços de convivência para tantas pessoas, mas não se pode prever um simples cenário apocalíptico desconsiderando a criatividade e a engenhosidade humanas, que por meio do desenvolvimento tecnológico estão de fato apresentando soluções muito interessantes.