Startup captura CO₂ do ar e o transforma em pedra para armazená-lo

Na Islândia, uma estrutura parecida com um container captura CO₂ do ar e o injeta no solo, compensando emissões. Ela está instalada perto da Hellisheiði Power Station, terceira maior usina de energia geotérmica do mundo, no sudoeste do país, que fornece a energia para o processo de captura e armazenamento do CO₂ .

A iniciativa envolve duas startups. A suíça Climeworks AG construiu a instalação, chamada Orca, que suga o CO₂ do ar. E a startup islandesa Carbfix é responsável por bombear o carbono no solo, transformando-o em pedra. A previsão é que a planta capture 4.000 toneladas de CO₂ por ano, tornando-se a maior instalação de captura de ar direto do mundo.

Usando grandes ventiladores, ela puxa o ar e o coloca em contato com substâncias químicas que removem o CO₂ e ao mesmo tempo liberam nitrogênio, oxigênio e outros gases de volta para a atmosfera. Os produtos químicos ricos em carbono são então aquecidos a cerca de 100 ° C para liberar CO₂ como um gás puro que, misturado com água é injetado profundamente na rocha basáltica.

“A urgente necessidade de conter o avanço das mudanças climáticas e seu efeitos devastadores passa tanto por reduzir as emissões de gases de efeito estufa quanto pela retirada de parte dos gases que já estão na atmosfera ou cuja emissão não pode ser evitada”, explica o economista Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas. Mas embora a demanda por remoção de carbono seja alta, as tecnologias usadas ainda precisam evoluir.

Meta de captação de CO₂ revisada

Das 16 instalações que a Climeworks construiu em toda a Europa, a Orca é a única que descarta permanentemente o CO₂ em vez de reciclá-lo. E a empresa já tem um projeto para expandir a planta. As 4.000 toneladas de CO₂ que ela irá capturar, no entanto, compensam apenas as emissões de cerca de 250 pessoas. Também está longe da meta original da Climeworks de capturar 1% das emissões globais anuais de CO₂ – mais de 300 milhões de toneladas – até 2025. Meta que já foi revisada para 500.000 toneladas até o final da década.

Replicar a combinação de fatores existente na planta na Islândia, rocha basáltica e energia barata de carbono zero, não é fácil. É possível armazenar CO₂ em outros tipos de formações geológicas nas quais o gás não se transforma em rocha, mas é essencial que o processo utilize energia carbono zero, pois, do contrário, corre o risco de gerar mais CO₂ do que armazena. Além disto, os custos ainda são altos.

Orca custou US $ 10 milhões a US $ 15 milhões para construir, incluindo construção, desenvolvimento local e armazenamento. O atual custo da compensação é de US$ 1.200 por tonelada de CO₂, o dobro do valor em compras a granel. A Climeworks pretende reduzir esse custo para US $ 200 a US $ 300 a tonelada até 2030 com os ganhos de escala previstos.