Startups da área alimentícia investem na tecnologia para se destacar, diz Arie Hapern

Alimentação é um ramo em constante expansão: mesmo em um cenário de crise ou recessão, as pessoas continuam comendo e, mesmo que os hábitos tenham de ser ajustados, o consumo não cessa, apenas se transforma. Uma recente pesquisa de mercado conduzida pela Research and Markets mostra que a indústria alimentícia mundial crescerá 4.5% até 2020. Para o economista e especialista em tecnologias disruptivas, Arie Halpern, empreender no ramo alimentício é difícil, devido ao porte das empresas consolidadas no mercado. Para se diferenciar frente à concorrência das grandes marcas, startups da área alimentícia investem na tecnologia para se destacar, diz Arie Hapern.

Comida Indoor

Para incentivar o consumo de proteína animal e, ao mesmo tempo, desvincular o alimento de qualquer sofrimento animal, a Memphis Meats, startup de San Francisco, criou bolinhos de carne, frango e até pato a partir de células animais cultivados em laboratório. Toda a carne dos bolinhos vem de tecidos musculares provenientes de uma substância chamada soro fetal, que vem de bezerros e filhotes não nascidos. Trata-se de uma alternativa mais humana aos matadouros que fabricam carne processada de origem animal. Atualmente, a companhia vende para grandes lojas de varejo, mas espera reduzir os custos de produção nos próximos anos para começar a oferecer seus produtos a preços competitivos em supermercados em 2021.

Criada em 2004, uma startup de Nova Jersey (EUA) adotou o conceito de fazenda vertical para aumentar a sua produção de maneira econômica e com pouca necessidade de espaço. Batizada de AeroFarms, ou fazendas aéreas, a empresa arrecadou R$ 95,8 milhões com a ajuda do governo federal para plantar diversas espécies de legumes e vegetais em gavetas que nunca tocam o solo. Com o auxílio de lâmpadas LED que simulam o processo de fotossíntese e bandejas de água cheias de nutrientes que dispensam a necessidade de terra, a empresa consegue produzir o mesmo que uma fazenda de diversos hectares em um galpão de poucos metros quadrados.

Ideias práticas e criativas

A inovação não precisa ser radical para atrair o efeito desejado quando o assunto é comida. É possível reapresentar conceitos tradicionais dando a eles uma nova cara para atrair a atenção do público. Um exemplo disso é o conceito criado pelas startups americanas Plated e Blue Apron, que funcionam como clubes de assinatura de ingredientes frescos. O serviço dessas empresas entrega para seus clientes caixas com ingredientes e receitas para que a refeição seja preparada ou finalizada em casa. A comodidade está no serviço de entrega, que pode ser monitorado ou reagendado por meio de um aplicativo exclusivo. A avaliação do consumidor a cada entrega influencia as ações futuras, criando-se assim um perfil específico para cada consumidor.

A expansão de negócios locais também foi impulsionada graças a variedade tecnológica nos sistemas de entrega. Hoje, restaurantes de qualquer tamanho podem incluir serviços de delivery sem a necessidade de arcar com custos de motoboy, graças a aplicativos como o UberEATS, FreshDirect, AmazonFresh, Deliveroo, Ifood e Instacart. A ampla variedade de empresas — grandes e pequenas — com esse tipo de serviço só beneficia o cliente, gerando uma competição saudável, uma vez que a qualidade do serviço depende, essencialmente, do tempo empregado para entregar a comida.  “As entregas são mais um exemplo de como a tecnologia pode auxiliar o ramo alimentício sem necessariamente transformar o sabor da comida. São sistemas complementares que maximizam a oferta de produtos ao consumidor, comenta Arie Halpern.


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