"A nova medicina será disruptiva", diz Arie Halpern

Startups: exames médicos na casa dos pacientes

Seguindo uma tendência mundial – a de prestação de serviços diretamente na casa das pessoas – startups de saúde estão desenvolvendo ferramentas que permitem aos pacientes a realização de exames médicos tradicionais no conforto do lar. A iniciativa tem despertado o interesse de investidores, que estão injetando milhões de dólares para levar essas soluções a um número maior de países.

Um exemplo bem-sucedido é o da startup israelense Healthy.io, que se propõe a fornecer diagnósticos médicos de modo rápido e descomplicado. Em 2019, a startup recebeu um investimento de US$ 18 milhões da venture capital Aleph, da Samsung e de outros investidores.

Seu primeiro produto é um kit para teste de urina que pode ser feito em casa e detecta sinais de infecções, diabetes e doenças renais. O exame de urina padrão é analisado por meio de um procedimento envolvendo um bastão plástico que, ao ser colocado na amostra de urina, muda de cor ao entrar em contato com substâncias como sangue, açúcares e proteínas. Normalmente, um clínico treinado analisa as alterações de cor a olho nu, mas o aplicativo de smartphone da Healthy.io também o faz, por meio de um algoritmo de visão computacional.

O produto já recebeu a aprovação da FDA, a rigorosa agência federal de administração de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, e dos órgãos reguladores da União Europeia. Desde que foi desenvolvido, o aplicativo e o kit foram usados mais de 100 mil vezes em todo o mundo, informa a startup. No Reino Unido, a cadeia de farmácias Boots está testando a aceitação da solução e o Serviço Nacional de Saúde britânico tem usado o kit para monitorar pacientes com transplante de rim e com diabetes. O preço do kit é de US$ 11,20.

Uma assistente virtual chamada Emily ajuda o paciente em cada etapa do exame, por meio de comandos de voz, texto e vídeo. Após encaixar o bastão em uma moldura de papelão com código de cores, o próprio usuário escaneia os dados do procedimento com o smartphone para obter o diagnóstico. Cópias do exame podem ser encaminhadas para qualquer médico.

Arie Halpern, economista e especialista em tecnologias disruptivas, diz que a prestação de serviços médicos diretamente na casa das pessoas é uma tendência mundial, principalmente pela comodidade aos pacientes. “Essas iniciativas podem mudar a realidade de pessoas que vivem em locais remotos, onde o acesso a postos de saúde é mais difícil ou onde há escassez de médicos”, comenta Halpern, ao comentar essa e inúmeras outras iniciativas que estão sendo promovidas nesse campo.

Outro exemplo que merece destaque nessa área, diz Arie Halpern, é o da startup irlandesa LetsGetChecked, que desenvolveu diversos kits de exames, abrangendo uma variedade maior de categorias, como pressão arterial, colesterol, rastreamento de câncer, fertilidade, além de testes de saúde sexual e hormonais. Todos eles podem ser feitos em casa, pois a plataforma conecta o paciente diretamente com o laboratório, facilitando o gerenciamento e o controle da saúde.

No ano passado, a empresa, criada em 2014, recebeu investimentos de US$ 12 milhões de investidores privados.

O paciente decide quais os testes que deseja realizar com base no risco hereditário, curiosidade ou simplesmente para fins de monitoramento da saúde. O exame escolhido é solicitado pelo portal da LetsGetChecked, que recebe autorização de um médico certificado para enviá-lo ao paciente. Ao receber o kit, o paciente é responsável pela coleta das amostras, seguindo as instruções que acompanham o produto. As amostras são recolhidas pela startup e o resultado dos exames pode ser acompanhado via app. Para manter a anonimidade dos pacientes, cada cliente é identificado por códigos de barras e QR codes, ao invés dos dados pessoais.

 A preocupação das startups que atuam nesse segmento é conseguir certificados para os produtos desenvolvidos, atestando a sua eficácia. O apoio de médicos também é fundamental para dar credibilidade aos testes. Por esse motivo, ambas as empresas investem pesado na contratação de profissionais de saúde.

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