Tatuagens eletrônicas transformam a pele em componente digital, segundo Arie Halpern

 

Tatuagens eletrônicas transformam a pele em componente digital, segundo Arie Halpern (MIT / Divulgação)

Nossa pele tenderá cada vez mais a confundir-se com um componente digital, segundo Arie Halpern. É o que se depreende, de acordo com o economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas, pela crescente e bem sucedida utilização das tatuagens eletrônicas no monitoramento do corpo humano e na interação entre humanos e máquinas. Também chamadas de tatuagens removíveis, ela consistem em adesivos feitos em nanoescala, que impressionam pela utilidade e precisão no desempenho de suas funções.

Há muitos estudos envolvendo tatuagens removíveis. O MIT e a Microsoft, por exemplo, têm feito testes com tatuagens removíveis para que smartphones possam ser controlados por elas e para que possam também ter dados armazenados. O grupo Future Interfaces utiliza smartwatches para transformar a pele em uma “tela” sensível ao toque.

Essas são inovações curiosas e bem interessantes, mas o ramo de pesquisas que promete mais benefícios aponta para o uso de peles ultrafinas no monitoramento clínico. Quase todos os tipos de acompanhamento – a medição de sinais cerebrais ou batimentos cardíacos, por exemplo – são feitos em geral por meio de eletrodos colocados sobre a pele. Os eletrodos, no entanto, são pouco convenientes quando é necessário monitorar continuamente sinais vitais em casa. Nesse ponto, as tatuagens eletrônicas são uma vantagem e tanto, em termos de conveniência e sofisticação.

Cientistas da Universidade de Tóquio desenvolveram um novo wearable que lembra uma tatuagem de henna mais sofisticada, mas que pode servir para monitorar a atividade muscular e a temperatura corporal de humanos. Em artigo publicado na Nature Nanotechnology, pesquisadores descreveram o objeto de estudo como um “sensor ultrafino, leve e respirável, construído a partir de uma rede em nano escala, um emaranhado de fibras mil vezes mais fina que um fio de cabelo”. O dispositivo pode monitorar sinais vitais durante um longo período de tempo sem inflamar ou irritar a pele, efeito colateral comum entre a maioria dos dispositivos atuais. A desvantagem é que ele pode ser removido com água, ou seja, a cada banho precisa ser substituído. A equipe admite que essa relação entre o conforto do dispositivo e sua durabilidade precisa ser mais bem desenvolvida em pesquisas futuras.

O sensor, quando instalado, pode detectar a temperatura, pressão e ler a atividade elétrica dos músculos com a mesma precisão que os eletrodos de gel convencionais, afirma o estudo. Os pesquisadores esperam que o sensor possa monitorar os sinais vitais do paciente sem causar desconforto e até medir os sinais fisiológicos de atletas sem prejudicar seu desempenho. “O benefício real deste novo sensor é a nanoescala e a flexibilidade, que fornece uma interface mais integrada à pele”, explica John Rogers, professor de Ciência dos Materiais e Engenharia na Universidade de Northwest, ao New York Times. “O que existe hoje são basicamente blocos rígidos de eletrônicos amarrados ao pulso”. “Sensores como esse poderão ser usados no futuro para monitorar sinais vitais de mulheres grávidas ou pacientes em fase de reabilitação física”, afirma Rogers. “Ou mesmo capturar sinais musculares que podem ser usados para controlar próteses”.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *