Arie Halpern: tecnologia a favor do bem

crowdfunding

A ideia de disruptura está no mais das vezes associada ao mundo das coisas. Ela nos remete a inovações tecnológicas que prometem produtos melhores, vida mais confortável e que nos protejam de ameaças como a falta de energia ou mudanças no clima. No plano das relações humanas, porém, também é possível provocar disrupturas. Neste caso, as plataformas são conhecidas: solidariedade, tolerância, compaixão, empatia, compartilhamento, colaboração. O poder disruptivo está na atitude, mas, claro, pode receber um empurrãozinho da tecnologia.

O fenômeno do financiamento coletivo ou crowdfunding é um exemplo de como é possível estimular o sentimento colaborativo. O balanço do site Catarse é uma amostra de como a cultura do financiamento coletivo está se firmando. Em 2015, 87 mil pessoas apoiaram 610 projetos com R$ 11,2 milhões. O Catarse e diversos outros sites semelhantes tornaram-se um canal alternativo para a realização de projetos culturais, sociais, educacionais, artísticos etc.

Graças à colaboração coletiva, por exemplo, um grupo de ex-presidiários obteve recursos para fazer um filme em que refletem sobre sua condição, experiências e o desafio da  reintegração. No site Benfeitoria, um projeto busca arrecadações para instalar bibliotecas colaborativas em comunidades do Rio de Janeiro.  Organizações sem fins lucrativos como Fundação Dorina Nowill ou Médicos Sem Fronteiras também têm recorrido a esses sites para levantar fundos para sua atividade.

Acompanhando a onda, grandes instituições também se valem da tecnologia para buscar apoio. Aí está o aplicativo ShareTheMeal (PartilheSuaRefeição), criado por iniciativa do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas – PAM (United Nations World Food Programme -WFP). O ShareTheMeal angaria fundos para a luta contra a fome. Para fazer doações, basta um clique no celular. A agência não tem fins lucrativos e em sua página informa que os seus custos administrativos estão entre os mais baixos do setor.

As possibilidades vão além de doações financeiras. O aplicativo BeMyEyes, criado pelo dinamarquês Hans Jorgen Wiberg, permite que voluntários utilizem seus smartphones para ajudar deficientes visuais em situações do dia a dia. Através de uma vídeo-chamada, o deficiente visual solicita ajuda, por exemplo, para identificar um objeto, ajudar no reconhecimento de um lugar ou ler a embalagem de um produto. Ao voluntário cabe descrever o que vê na tela.

A tecnologia a favor de boas ações disruptivas.


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