Tecnologia ajuda a salvar espécies ameaçadas de extinção

Segundo relatório da Endangered Earth, existem hoje mais de 16 mil espécies ameaçadas de extinção em todo o mundo. No último século, mais de 800 espécies desapareceram por completo da face da Terra e, conforme se agrava o desequilíbrio ambiental, cresce o perigo de extinção para milhares de plantas e animais.

Apesar disso, a ação humana também pode significar a salvação de muitas espécies ameaçadas, sobretudo quando dispositivos tecnológicos e inteligência artificial são combinados com o intuito de monitorar a vida selvagem e minimizar os impactos do homem na natureza.

A Espanha é um dos países que utilizou a tecnologia para salvar da extinção o lince Ibérico, cuja população era de menos de 100 representantes. Graças a um centro de reprodução de ponta, o número de indivíduos dessa espécie criticamente ameaçada mais do que triplicou; agora os animais estão sendo reintroduzidos em habitats seguros, em um contínuo esforço de repovoamento.

Hoje, esses linces são rastreados com colares de localização que monitoram o geoposicionamento e outros aspectos da vida do animal, permitindo que os cientistas estudem o comportamento da espécie. Além disso, drones conectados aos colares são usados ​​para fornecer monitoramento adicional. O próximo passo é aposentar os atuais colares dependentes de bateria para sensores subcutâneos que permanecem sob a pele do animal por toda a sua vida, como já acontece com outras espécies em diversos locais do mundo.

Uma das maneiras de se preservar informações sobre espécies ameaçadas de extinção é por meio dos chamados Bancos Biológicos – locais de armazenagem de amostras biológicas para pesquisa e preservação da diversidade genética. Alguns exemplos incluem o San Diego Frozen Zoo, os projetos Frozen Ark, entre outros. As amostras presentes nesses bancos fornecem tecidos, linhas de células e informações genéticas que podem formar a base para restaurar e recuperar a vida selvagem por meio de tecnologias reprodutivas ou pesquisas de genoma. A coleta adequada de amostras para fins de conservação é uma tarefa difícil, técnica e logisticamente, mas garante a preservação do DNA das espécies.

No Brasil

No Pará, estado que abriga uma parte importante da floresta amazônica brasileira, ecólogos utilizam softwares avançados para mapear e identificar nichos ecológicos de espécies ameaçadas. O mapeamento dessas espécies auxilia na elaboração de políticas públicas como o Programa Extinção Zero, lançado pelo Governo do Pará no início de 2008.

Para mapear corretamente, pesquisadores cruzaram informações do habitat onde as espécies se encontram, como tipologia dos solos, posição das bacias hidrográficas, tipologia vegetal (fitofisionomia), amplitude térmica anual, precipitação pluviométrica e sazonalidade climática. Os dados foram estudados ao longo de alguns anos para identificar também quais regiões sofreram transformações mais profundas, como a intervenção de seres humanos. Todos os dados são integrados por meio de um algoritmo que consegue calcular o risco aos quais as diferentes espécies estão submetidas.

Tecnologias como essas são importantes para minimizar o impacto do homem no mundo animal. Se não direcionarmos esforços para conter o resultado do crescimento urbano desordenado, do desmatamento, do aquecimento global e da produção de lixo, estaremos acelerando o processo de extinção de diversas espécies, inclusive a nossa.

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Sobre Arie Halpern

Arie Halpern é um economista e empresário com vocação para inovações. Criou empresas alinhadas ao conceito de tecnologia disruptiva, como a CTF Technologies, e atualmente é diretor da irlandesa Tonisity, que desenvolveu uma tecnologia inovadora em nutrição e bem estar de porquinhos.

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