Tecnologia da energia limpa e ilimitada começa a se tornar realidade

Este início de agosto de 2020 promete ser lembrado por muito tempo pelo mundo da ciência e da tecnologia, mas, felizmente, por motivos bem melhores do que a pandemia de covid-19. A semana marca o início da última fase de montagem do maior projeto de pesquisa em geração de energia de nossa era, que está sendo construído por um consórcio internacional no sul da França. O Iter é uma planta de fusão a frio, que deve ser capaz de gerar uma quantidade ilimitada de energia num espaço relativamente pequeno e praticamente sem gerar resíduos. Ela é o resultado de uma colaboração internacional entre União Europeia, China, Estados Unidos, Índia e Coreia do Sul, Japão e Rússia, que estão dividindo o custo de aproximadamente R$ 120 bilhões.

“O próprio conjunto de países que participam do projeto já demonstra sua importância, basta notar que rivais no campo econômico e no desenvolvimento tecnológico, até mesmo como China e Estados Unidos, estão colaborando para o que promete ser um salto no desenvolvimento da capacidade humana em várias frentes”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. “A etapa de montagem indica que os problemas de tecnologia foram dimensionados, e, agora, entramos na fase operacional, com a expectativa de ver os primeiros resultados concretos na geração de energia em cinco anos”, completa Halpern.

O projeto usa gás hidrogênio, aquecido à temperatura brutal de 100 milhões de graus celsius até que ele mude de estado e se transforme numa fina cama de plasma. Esse elemento é, então, direcionado por ímãs superpoderosos, que fazem com que os átomos de hidrogênio se choquem uns com os outros, fundindo-se e se tornando assim um único átomo de hélio de forma controlada. A única forma até hoje encontrada pelo homem de produzir fusão nuclear ocorre de maneira descontrolada: a explosão de uma carga de material radioativo que é a base da Bomba H, a arma mais destruidora já criada.

Sol artificial

O Iter vai reproduzir um efeito que ocorre no sol. O hidrogênio é o elemento químico mais abundante do universo, composto por apenas um próton orbitado por um elétron. Fundir o núcleo dos átomos exige uma imensa quantidade de energia para aproximar duas partículas de cargas iguais, positivas. No entanto, quando esse efeito é obtido, a quantidade de energia liberada é ainda muito maior do que aquela exigida no processo. Essa é a reação que ocorre nas estrelas, com a força da gravidade “esmagando” átomos de hidrogênio em seu interior e liberando energia.

Com informações: Iter; BBC; Associação Brasileira de Energia Nuclear; Science Europe.