Tecnologia de informação ajuda africanos a combater a pandemia

O continente africano, com seus 1,2 bilhão de habitantes, até agora tem se mantido numa posição relativamente confortável em relação à pandemia do novo coronavírus. Enquanto no Brasil, com 210 milhões de habitantes, são quase 90 mil mortos, na África, eles se aproximam de 20 mil. Isso não quer dizer que os 55 países estejam a salvo, e há uma grande preocupação das autoridades de saúde de que eles se tornem o próximo epicentro, depois da América Latina. Para amenizar os riscos e manter a situação sob controle, algumas iniciativas importantes estão sendo desenvolvidas no continente, usando tecnologia de informação como ferramenta.

“Quando pensamos em tecnologia como forma de combate à covid-19, normalmente temos em mente os países mais desenvolvidosmas, no caso de uma pandemia tão avassaladora, as soluções devem ser encontradas para as realidades de todos os lugares, ou então voltaremos à estaca zero”, alerta o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. “E as melhores soluções são aquelas que surgem nos contextos locais, de acordo com o que é importante em cada um dos países”, completa.

As iniciativas mais promissoras estão aproveitando as novas possibilidades geradas pela disseminação de smartphones. De acordo com o Pew Research Center, uma instituição norte-americana de pesquisa, na África subsaariana, cerca de um terço das pessoas tiveram acesso a um smartphone em 2018, número duas vezes maior do que quatro anos atrás, e que deve dobrar até 2025.

Chatbots e autoavaliações

Na Nigéria, a empresa de Wellvis, criou a COVID-19 Triage Tool, uma ferramenta online gratuita para ajudar os usuários a avaliar sua categoria de risco de coronavírus, com base em seus sintomas e histórico de exposição. Dependendo de suas respostas, os usuários recebem aconselhamento médico remoto ou são redirecionados para um centro de saúde próximo. A ferramenta já foi usada por  mais de 380 mil pessoas desde 19 de março. Já o governo sul-africano está usando o popular serviço de bate-papo do whatsApp para executar um chatbot interativo que pode responder a perguntas comuns sobre mitos, sintomas e tratamento. Ele alcançou mais de 3,5 milhões de usuários em cinco idiomas diferentes em apenas um mês de funcionamento, e está sendo lançado globalmente.

 

Mercado das Mulheres

As vendedores do Mercado das Mulheres, um tradicional centro de compra em Uganda, estão usando um aplicativo para manter as vendas durante a quarentena. O aplicativo Market Garden permite que os fornecedores vendam e entreguem frutas e legumes com segurança aos clientes. Moto-táxis são então acionados para entregar os produtos aos clientes. Essa estratégica, relativamente nova no país, evita que multidões se aglomerem naquela que é uma das áreas vitais de abastecimento da capital Kampala.

Com informações: OMC; BBC News; OMS; Governo da África do Sul; Governo da Nigéria; Governo de Uganda, Wellvis.