Tecnologia de nuvem e I.A. abrem caminho para acelerar o desenvolvimento de medicamentos, diz Arie Halpern

 

Tecnologia de nuvem e I.A. abrem caminho para acelerar o desenvolvimento de medicamentos, diz Arie Halpern

As nuvens e a inteligência artificial são os mais recentes aliados da inovação na produção de medicamentos. “A indústria da saúde é um dos segmentos que mais atrai investimentos em tecnologia e novos produtos. Agora, com a utilização de nuvens e inteligência artificial deve-se abrir caminho para acelerar o desenvolvimento dos medicamentos”, diz Arie Halpern, economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas.

Abraçada à IA e ao deep learning (“aprendizado profundo”, em tradução livre) está a empresa canadense Deep Genomics. Fundada por Brendan Frey, a companhia ficou conhecida por utilizar essas tecnologias em pesquisas para a utilização de potenciais genéticos na cura de doenças. Em maio deste ano, ela anunciou que vai direcionar seus esforços também para o desenvolvimento de remédios. Em um primeiro estágio, a companhia vai focar em medicamentos para doenças de origem genética, conhecidas como distúrbios Mendelianos. “É possível entender que parte dessa mudança no direcionamento da empresa vem do fato de ela ter acumulado grande quantidade de dados sobre doenças genéticas. Agora é capaz de usar algoritmos para analisar os dados e tirar bons resultados disso”, comenta Arie Halpern. Segundo Frey, a melhor forma de lidar com grandes quantidades de dados é com a inteligência artificial.

Outras companhias que estão entrando no mercado de medicamentos são a britânica BenevolentAI e a Calico, subsidiária da Alphabet. A inteligência artificial, assim como o deep learning e o aprendizado de máquina, tem mostrado que existem novas formas de se desenvolver substâncias, sem precisar testar todas em laboratório. O professor de Harvard Alán Aspuru-Guzik, por exemplo, ensinou um software a combinar propriedades de substâncias diferentes para criar novas drogas. Para fazer isso sem a intervenção de seres humanos, o software utiliza algoritmos de aprendizado de máquina. “Ele é capaz de explorar de forma mais intuitiva, usando o conhecimento químico que aprendeu, como um químico humano”, diz Aspuru-Guzik. “Os seres humanos poderiam ser melhores químicos tendo esse tipo de software como assistente”.

A computação em nuvem é outra tecnologia que está mudando o cenário de desenvolvimento de medicamentos. Nuvens são globalmente acessíveis e de baixo custo, o que permite que dados sejam compartilhados em diversas regiões do mundo, permitindo um melhor desenvolvimento para os remédios, explica Kevin Julian, diretor da Accenture Life Science, empresa de consultoria em gestão de tecnologia. “Uma das informações que as nuvens ajudam a compartilhar são os testes em animais”, explica Arie Halpern. “Como são testes complicados, não são todos os lugares que conseguem realizá-los. Nesse caso, compartilhar informações pode ser a melhor opção.” Para a biomédica Jackie Hunter, é apenas com o uso dessas tecnologias que a indústria farmacêutica será capaz de se manter ativa frente as exigências do século XXI.


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