Tecnologia disruptiva para reduzir prazos e custos nas entregas

O setor de logística, tradicionalmente relacionado ao uso de mão de obra intensiva e armazenamento fragmentado de dados, é um dos que mais vêm se beneficiando com as novas tecnologias. Esse processo ganhou ênfase com os efeitos provocados pela pandemia da covid-19, em especial com o significativo crescimento das comércio online.

As empresas que atuam em diferentes segmentos não têm poupado esforços nem investimentos. O iFood, maior foodtech da América Latina, por exemplo, começou a usar drones em suas entregas, num projeto piloto em Campinas (SP). Diferentemente do que muitos imaginam e de imagens que vinham sendo mostradas sempre que essa modalidade de entrega era mencionada, o drone não leva a comida até a porta dos clientes. Eles são usados para buscar a encomenda, feita pelo aplicativo, em um restaurante localizado em um shopping e levá-la até o ponto de distribuição mais próximo do endereço final. A partir daí, a entrega é feita por um motoboy ou ciclista. O uso dos drones, que podem transportar cargas de até 2 quilos, reduziu em cerca de 10 minutos o tempo de entrega nos testes. Com autonomia de voo de até 30 minutos, eles também contam com dispositivo de segurança que ejeta um paraquedas em caso de problemas no motor, suavizando uma eventual queda.

Para cargas e distâncias maiores, fora das cidades, uma das apostas são os caminhões autônomos. Uma empresa americana, a TuSimple, já os usa no transporte de cargas entre os Estados do Texas e do Arizona, nos Estados Unidos. Por enquanto, os caminhões rodam com um motorista de segurança ao volante e um engenheiro de teste no banco do passageiro para monitorar o percurso. Mas a empresa anunciou que, em 2021, o transporte será feito totalmente sem motorista.

Gêmeo digital e robótica devem se popularizar em 2021

Automação, inteligência artificial e data analytics são algumas das tecnologias disruptivas que viabilizaram os maiores avanços no setor de logística e na cadeia de suprimentos. Muitas empresas se beneficiaram com a adoção de inteligência artificial, que possibilitou automatizar muitas das tarefas antes realizadas manualmente. Isso fez com que os processos se tornassem mais rápidos e reduziu erros.

A possibilidade de criar modelos digitais, capazes de interagir com o produto físico, com o uso do chamado gêmeo digital, agilizou a identificação de ineficiências e problemas. Segundo os especialistas, seu uso deve se popularizar em 2021 aumentando ainda mais a eficiência no setor. Os dados em tempo real que a tecnologia fornece também podem ser usados ​​para melhorar os prazos de entrega.

O mesmo deve acontecer com os recursos de robótica na cadeia de suprimentos. Usados no planejamento de rotas, rastreamento de veículos e transporte inteligente, eles representam uma série de benefícios. Robôs de coleta automatizada, soluções de sustentabilidade e robôs de entrega usados na “última milha” serão muito mais comuns nos próximos 12 meses.

Outro divisor de águas é o acompanhamento da cadeia de suprimentos em tempo real. Dados relacionados ao clima, padrões de tráfego, rotas otimizadas e outros são essenciais para reduzir custos e aumentar a eficiência. “Sob crescente pressão para entregar mais e com prazos menores, as empresas de logística intensificaram a adoção de novas tecnologias e estão se beneficiando com isso”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern.