A tecnologia é forte aliada no combate ao aquecimento global, diz Arie Halpern

A tecnologia é forte aliada no combate ao aquecimento global, diz Arie Halpern

A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, tratado internacional para combater o aquecimento global, aumentou as dúvidas quanto ao sucesso dos esforços para diminuir o impacto da mudança climática no planeta. Segundo reportagem publicada pela revista “Independent” , a alteração no clima pode custar até US$ 1,8 trilhão à economia mundial até 2030, pelas consequências negativas do calor intenso sobre a produtividade.

Na visão do economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas Arie Halpern, a crescente apreensão aumenta as expectativas em relação às respostas que a inovação tecnológica pode oferecer para o problema. Felizmente, há diversas iniciativas no campo da pesquisa tecnológica, diz ele, para minimizar e conter o processo de mudança do clima e há um sem número de possibilidades a explorar. A tecnologia é forte aliada no combate ao aquecimento global, diz Arie Halpern.

O campo a ser explorado pela tecnologia, sem dúvida, é amplo, a julgar pelos fenômenos que a elevação de temperatura pode causar. Segundo os estudiosos, juntamente com o calor, entre outras coisas, vem a mudança no regime de chuvas e o aumento das precipitações. Com isso, pode-se esperar pelo aumento da população de insetos e de roedores, seus predadores. O declínio na qualidade do ar pode trazer o aumento na quantidade de  incêndios e tempestades de areias, além de secas, enchentes e deslizamentos. Em entrevista à revista “Independent”, Tord Kjellstrom, autor do estudo sobre o impacto do aquecimento global na economia, afirma que o aquecimento global será inevitável até 2050, mas que podemos fazer a diferença nos anos seguintes se começarmos a trabalhar no tema agora.

De acordo com Halpern, a preocupação com a redução na emissão de gases de efeito estufa é um dos focos do desenvolvimento tecnológico na área de energia. Ou, como diz Edward A. Parson, co-diretor do Instituto Emmett de Mudanças Climática e Ambientais, na Califórnia, em entrevista ao “Huffington Post”, se encararmos o aquecimento global como um problema técnico, é possível encontrar uma solução técnica para resolvê-lo. Uma das mais conhecidas figuras entre as empresas de tecnologia, Bill Gates, está apostando nessa via. Em conjunto com outros grandes empresários, criou um fundo de captação de recursos e investimentos para incentivar pesquisas na área de energia ecológica, o Breakthough Energy. A companhia canadense General Fusion, por outro lado, está colocando suas fichas no setor de energia nuclear. O objetivo é buscar formas seguras de utilizar energias oriundas da fusão nuclear.

A área de energia para transportes é outra frente importante. A frota de mais de 1 bilhão veículos no mundo responde por 23% das emissões de gás poluente. Não é difícil imaginar como a substituição de combustíveis derivados de petróleo é importante para evitar o pior. As pesquisas com os carros movidos a energia elétrica avançam e podem contribuir muito para alterar esse panorama. “Não é necessário fazer novas grandes descobertas científicas para trocar nossas fontes de energia, essas descobertas já foram feitas. Temos de focar agora em fazer com que esses recursos sejam expandidos pelo mercado”, comenta Arie Halpern.

Cientistas da Universidade de Surrey confirmam que o ser humano já descobriu novos materiais suficientes para melhorar a capacidade das baterias atuais para até 10 mil vezes sua capacidade atual.

A inovação tecnológica na área de energia será decisiva para equacionar o problema do aquecimento, mas, segundo Halpern, essa contribuição da tecnologia se estende a uma infinidade de outros campos da atividade humana. “A tecnologia pode ser uma das nossas maiores aliadas para contornar o problema climático, mas é importante que os investimentos nessa área sejam estimulados por políticas adequadas e não se deixe tudo a cargo da espontaneidade do mercado”, diz Halpern.


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