Tecnologia e sustentabilidade no esporte são as marcas da Olimpíada de Tóquio

Tecnologia e soluções sustentáveis são as principais bandeiras da Olimpíada de Tóquio, agora programada para começar em julho e sem espectadores estrangeiros. Se a pandemia adiou os jogos e frustrou torcedores, a tecnologia vai garantir o espetáculo. Inteligência artificial, realidade virtual, rede 5G e soluções sustentáveis com muito uso de material reciclado estarão nas quadras, pistas, piscinas e ginásios.

“Os esportes sempre tiveram um papel fundamental no desenvolvimento de novas tecnologias que, depois de testadas e aprimoradas, chegam até nós aumentado o conforto, a segurança e a saúde”, ressalta o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern.

Música, tradução e identificação

A música oficial da Olimpíada de Tóquio (#2020beat) foi composta usando inteligência artificial. Uma seleção com mais de mil amostras de som serviu como base: seus fragmentos (dos temas esporte, cultura japonesa, dia a dia e natureza) foram combinados para produzir cinco ritmos diferentes. A batida tem um chamado e uma resposta: a ideia é que o público ouça o chamado e siga a resposta com palmas.

Um app de tradução simultânea, desenvolvido com tecnologia de ponta, o VoiceTra, vai facilitar a vida de atletas, integrantes das equipes técnicas e membros da imprensa. São nada menos do que 27 idiomas, incluindo línguas como Urdu e Dzonghka, faladas na Índia e no Butão, por exemplo. Ele estará disponível para smartphones e notebooks e também em pontos turísticos, shoppings e hospitais. O app será usado também pelo exército de robôs que circulará pelo país durante os jogos.

A identificação dos milhares de atletas, funcionários, voluntários e demais profissionais que circularão pelas arenas e na vila olímpica será feita com tecnologia de reconhecimento biométrico, agilizando o processo e aumentando a segurança.

Recursos com realidade virtual serão usados no treinamento das equipes para proporcionar uma prática imersiva com experiências mais realistas e feedbacks mais precisos. Para isso, usam os chamados gêmeos digitais, que são réplicas computadorizadas de locais e objetos com os quais os atletas interagem. Entre as vantagens estão a diminuição de custos e maior eficiência no treinamento.

A realidade virtual será usada também para produzir conteúdo especial de diferentes esportes (como atletismo, ginástica, boxe e vôlei de praia) nas transmissões dos Jogos Olímpicos. Todas as conexões entre os 42 locais de competição, a sede do comitê organizador, alojamentos e hotéis serão por meio de rede 5G, mais rápidas e confiáveis.

Sustentabilidade

Criado pelo arquiteto japonês Kengo Kuma, o novo estádio olímpico foi projetado para aproveitar o ar externo para resfriar seu interior, considerando as altas temperaturas do verão japonês.

As mais de 5 mil medalhas foram feitas com material reciclado de 6 milhões de celulares, computadores e câmeras. As roupas que serão usadas pelos atletas nas cerimônias de abertura e encerramento também usam tecido reciclado e as camas em que dormirão na vila dos atletas tem a base de papelão.

A preocupação com a preservação do planeta aparece também no piso sintético do campo de hóquei, feito a partir de cana de açúcar com tecnologia brasileira. O plástico reciclável corresponde a 60% de todo material usado no gramado. O material também retém menos o calor.

O revezamento da tocha olímpica começa em Fukushima e nos próximos 121 dias até a chegada à Tóquio certamente ouviremos falar sobre várias outras soluções tecnológicas que estarão em campo.