Tecnologia é usada para surfar sem ondas e espantar tubarões

O surf, segundo evidências arqueológicas, começou com os pré-Incas, no Peru, que usavam bases de junco para pescar há mais de cinco mil anos. Algum tempo depois, passou a fazer parte da cultura na Polinésia e se popularizou no Havaí, com pranchas feitas de madeira. Agora, com uma ajudinha da tecnologia, já é possível surfar sem onda e longe do mar.

A novidade recente é surfar com hidrofólio (também conhecido como foilboard), uma prancha de surfe com uma espécie de mastro feito com fibra de carbono que é fixada na parte de baixo e na ponta contrária possui uma ou duas asas que ficam submersas. O formato lembra o de um avião.

O surfista precisa somente de um pequeno impulso para que as asas submersas criem uma pressão aerodinâmica, fazendo a haste subir e a prancha flutuar. O surfista cria impulso movimentando as pernas para cima e para baixo. Alguns descrevem o hidrofólio como um tapete voador.

Modelos mais avançados, os efoils, possuem hélices elétricas embutidas no mastro, dando mais potência e velocidade, tornando possível surfar em lagos, rios ou piscinas. Elas são acionadas por controle portátil conectado via bluetooth.

Embora a tecnologia do hidrofólio exista na navegação há mais de um século, foi somente há cerca de duas décadas que ela passou a ser usada no surf. E apenas recentemente as pranchas de hidrofólio elétricas ou efoils chegaram ao mercado. Uma das primeiras fabricantes foi a empresa porto-riquenha Lift Hydrofoils.

Com mais de 35 milhões de surfistas no mundo, o esporte deve ganhar muito mais adeptos com a possibilidade de ser praticado por quem mora longe da costa. Além disso, a tecnologia também vem tornando o esporte cada vez mais seguro e acessível.

Espanta tubarão

No quesito segurança, um pequeno dispositivo usado no pulso ou tornozelo protege os surfistas de ataques de tubarões, que vêm se tornando mais comuns recentemente. O Sharkbanz usa ímãs para criar um campo eletromagnético de cerca de dois metros que interfere nos sentidos dos tubarões e os fazem se afastar. Segundo estudos realizados na Austrália, a tecnologia tem uma taxa de sucesso de 65%.

No surf, a tecnologia desempenha papel relevante também na medição de ondas e previsões climáticas. Informações fundamentais para dar mais segurança, especialmente, para a modalidade de ondas gigantes. “Os surfistas que encaram ondas muito grandes contam com um número cada vez maior de ferramentas sofisticadas de comunicação, fundamentais para que sejam monitorados e resgatados, caso enfrentem dificuldades”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

E no que diz respeito à preservação ambiental, a busca é por alternativas ao poliuretano, material em que a maioria das pranchas é feita. Uma das soluções é a impressão em 3D usando bioplásticos feitos de amido de milho. A tecnologia vem sendo usada pela francesa Wyye. Ela leva até 50 horas para imprimir uma única placa, mas seus fundadores acreditam que, com a evolução da tecnologia de impressão 3D, muito em breve este prazo será reduzido.