Tecnologia em prédios inteligentes mira a saúde

A pandemia da covid-19 trouxe novas demandas para a evolução dos edifícios inteligentes. Se até hoje a tecnologia empregada tinha como principal objetivo aspectos de segurança e melhor eficiência no uso de energia, agora o foco são sensores, aplicativos e outras soluções capazes de monitorar a densidade da ocupação, garantir o distanciamento social e a ventilação e eliminar a necessidade de contato físico, incluindo tocar em maçanetas e botões.

Na década de 1980, a automatização de sistemas hidráulicos, de iluminação e de ar-condicionado se tornou mais acessível e o conceito de edifício inteligente ganhou força e se popularizou. A crescente preocupação com a preservação do meio ambiente e a consequente valorização de soluções sustentáveis fizeram com que a inteligência passasse a ser direcionada para a economia e o reaproveitamento de energia.

Tanto assim que no fim do século passado foram criadas instituições para certificar os edifícios construídos segundo rigorosos padrões de qualidade e eficiência, como a U.S. Green Building Council, que emite o certificado Leadership in Energy and Environmental Design (Leed). Praticamente todas as construções apontadas como referência do conceito, como o Sello Shopping Center, em Espoo/Finlândia, o Taipei 101, em Taipei/Taiwan, e o Eldorado Business Tower, em São Paulo, têm como principais vantagens a eficiência energética e a sustentabilidade.

Mais recentemente, a vitrine passou a ser o The Edge, em Amsterdã, na Holanda. O uso das vagas do estacionamento, a regulagem de temperatura e a iluminação individual de acordo com as preferências de cada um e até a quantidade de açúcar usada no café são automatizados. Um aplicativo indica o espaço onde cada um irá trabalhar de acordo com a agenda do dia. Mesmo com os avanços em relação ao conforto e ao bem-estar, o foco é reduzir o desperdício.

Limitar a propagação de doenças: prioridade

O progresso que experimentamos tem sido impressionante, especialmente em termos de eficiência (economia de tempo e de energia), conforto e bem-estar (temperatura, qualidade do ar, som e iluminação) e segurança (detecção de fogo, vazamentos de gás e água e outros autodiagnósticos). Mas as prioridades agora são outras. A tecnologia e a inovação estão sendo direcionadas para soluções que ajudem a limitar a possibilidades de propagação de futuras epidemias.

Entre os novos recursos estão a iluminação de LED embutida no piso para indicar onde ficar e a distância a ser mantida em relação aos demais, portas que usam reconhecimento facial e se abrem automaticamente, elevadores acionados por aplicativos, rastreamento de cada usuário identificando as pessoas com quem tem contato. Evitar contato físico e preservar a saúde são as palavras de ordem. Recentemente, o Global Green Building Council enviou à Organização Mundial da Saúde (OMS) uma declaração, assinada por cerca de 700 especialistas do setor, pedindo a adoção urgente de um código de melhores práticas para proteger usuários de edifícios do contágio de doenças como a covid-19.

“Na última década, as empresas investiram em ambientes abertos e compartilhados, áreas para jogos e espaços de descompressão, incentivando a proximidade e o contato entre seus profissionais em busca de ambientes mais saudáveis que os tornassem mais produtivos, o desafio agora é encontrar formas de reduzir ao máximo as interações, sem eliminar a troca de ideias e as conversas rotineiras que, às vezes, levam a grandes inovações”, pondera o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern.