Tecnologia emergente para resgate

A ocorrência de desastres naturais vem aumentando num ritmo cada vez maior. Nos últimos 40 anos, a quantidade de eventos cataclísmicos em todo o mundo quadruplicou, de acordo com as Nações Unidas. São catástrofes naturais, muitas delas provocadas pelo aumento da temperatura, como incêndios florestais, inundações, furacões e tsunamis, ou situações decorrentes de questões políticas e sociais, como as que levam refugiados a ficarem à deriva no mar que colocam muitas vidas em risco.

Estas situações extremas ampliaram o desenvolvimento de equipamentos com uso de robótica para uso em resgates. Robôs de resgate, equipamentos que voam, andam na água ou submersos, se embrenham em escombros, apagam incêndios, fornecem suprimentos médicos ou ajudam os socorristas a localizar pessoas ou achar caminhos tiveram grande avanço nos últimos anos.

Uma empresa de tecnologia britânica, a Gravity Industries, criou um macacão com motor a jato. Ele possui dois mini motores em cada braço e um na parte traseira, permitindo ao usuário controlar o equipamento movendo as mãos. A principal vantagem do traje, que lembra o usado pelo personagem Homem de Ferro, é a velocidade: ele pode atingir mais de 100 quilômetros por hora. Ou seja, permite a um paramédico chegar rapidamente a regiões isoladas e de difícil acesso.

O equipamento foi desenvolvido em parceria com o The Great North Air Ambulance Service (GNAAS), instituição de caridade que opera um serviço de resgate com helicópteros na região Norte do Reino Unido. O primeiro voo-teste foi feito no parque nacional de Lake District. Com o equipamento, um paramédico pode voar do fundo do vale para o topo de uma montanha em 90 segundos, em vez dos cerca de 30 minutos que levaria a pé. O local, com muitos picos e vales dificulta o acesso por helicópteros. Na maioria das vezes, como não é possível pousar próximo às vítimas, os socorristas precisam percorrer parte do trajeto a pé numa situação em que segundos podem fazer a diferença entre a vida e a morte.

Inteligência artificial para tarefas ainda mais complexas

Os robôs vêm sendo usados como dispositivos teleguiados para encontrar pessoas soterradas, desativar explosivos ou desmontar usinas nucleares. E já estão evoluindo para ganhar mais autonomia e assumir tarefas mais complexas. De acordo com o IDC, o mercado de robótica irá crescer 38,3% até 2022. “Os especialistas estão empenhados em eliminar as limitações para que os robôs estejam cada vez mais presentes em nosso dia a dia, não apenas tornando nossa vida mais ágil e confortável, mas, principalmente, para atuar em situações extremas salvando vidas”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Em 2017, um robô batizado Little Sunfish foi fundamental para localizar combustível num dos reatores da Usina de Fukushima, no Japão, após a explosão. Desenvolvido para operar submerso, no escuro e em meio à radiação ele possibilitou a remoção do combustível evitando contaminação. Mais recentemente, quando o vírus da Covid-19 se disseminou na China, vários robôs, como o Little Peanut, foram colocados em hospitais e hotéis para dar suporte a consultas, esterilizar ambientes e entregar refeições evitando  contato humano.

 

Agora, os pesquisadores estão dotando os robôs de inteligência artificial. No

Centro Alemão de Pesquisa de Inteligência Artificial (DFKI) os especialistas estão trabalhando no desenvolvimento da comunicação e colaboração entre pessoas e máquinas. Os peritos em processamento de linguagem natural e informática ensinam os robôs a compreender os procedimentos de missões de resgate, a entender comandos e a transmitir informações à equipe de paramédicos.

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