Tecnologia pode fazer diferença na batalha pelo empoderamento feminino, diz Arie Halpern

Tecnologia pode fazer diferença na batalha pelo empoderamento feminino, diz Arie Halpern, economista e especialista em tecnologias disruptivas.

Tecnologia pode fazer diferença na batalha pelo empoderamento feminino, diz Arie Halpern, economista e especialista em tecnologias disruptivas.

Desigualdade de gênero no mercado de trabalho é um assunto fartamente debatido pela sociedade, visando a potencializar a conscientização sobre os direitos da mulher. Mas esse é só um dos campos em que a superação desse desafio é necessária. Na tecnologia, estima-se que mais homens tenham acesso à internet: em todo o mundo, a diferença é de 200 milhões a favor dos homens, segundo pesquisa do Grupo de Trabalho da Comissão de Banda Larga das Nações Unidas. A pesquisa aponta que, em uma escala global, 41% dos homens estão conectados, ante 37% das mulheres. Por conta disso, ícones femininos no mundo tecnológico estão lutando para garantir a igualdade de acesso à rede no mundo todo. Por uma razão simples: a tecnologia pode fazer diferença na batalha pelo empoderamento feminino, diz Arie Halpern, economista e especialista em tecnologias disruptivas. Os exemplos de uso de redes e dispositivos para promover a inclusão digital e a igualdade de gênero são muitos, afirma.

Mesmo nas regiões mais pobres do planeta, onde o acesso à tecnologia é raro independentemente de gênero, a educação digital pode ser uma grande arma  para mulheres que buscam uma fonte de renda e independência do sistema patriarcal. A ONG africana Fundação Juventude pela Tecnologia coordena um projeto de impressão 3D voltado para mulheres. Através de dispositivos como canetas e impressoras 3D, que constroem objetos por camadas, diversas mulheres participam de oficinas de criação de produtos envolvendo a impressão digital, para que, no futuro, possam trabalhar no mercado tech, até mesmo de forma autônoma, desenvolvendo novos produtos.

Samia Haimoura, uma empreendedora marroquina, criou um aplicativo que mapeia tentativas de assédio sexual nas ruas do Egito. O app HarassMap pode ser   acionado  no momento em que o crime ocorre, para que autoridades nas proximidades sejam mobilizadas , garantindo a segurança da usuária. Samia diz que sua invenção é uma espécie de Uber para a segurança feminina — a vítima, ao se sentir ameaçada, aciona o sistema para pedir intervenção de uma viatura policial no local onde se encontra, à semelhança do sistema de chamada do Uber. Para reportar o assédio, a vitima abre o sistema, digita 6069 e escolhe se deseja prover mais informações que ajudem a identificar o agressor. O app identifica o chamado através do sistema de reconhecimento do GPS e informa o poder público. Toda a informação coletada serve de base para mapear as áreas de maior incidência, e, em consequência, promover maior policiamento nessas regiões.

Também criado por mulheres, o projeto Kiya usa a realidade virtual para aumentar a empatia das pessoas em torno de assuntos relacionados à violência contra a mulher. Por meio de filmes especialmente produzidos para  óculos de realidade virtual, espectadores podem vivenciar cenas de violência doméstica para entender melhor o sofrimento de milhões de mulheres em todo o mundo. Trabalhar a empatia, especialmente no público jovem, acredita-se, pode ajudar a mudar comportamentos masculinos enraizados em culturas machistas.

“O grande benefício da utilização de tecnologias para o empoderamento feminino é a possibilidade de se conectar diversas realidades femininas em todo o mundo. Dessa forma, além de resolver problemas locais, inovações e projetos voltados para as mulheres podem ser compartilhados globalmente”, diz Arie.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *