A tecnologia também nos deixa vulneráveis, diz Arie Halpern

O avanço da tecnologia também nos torna mais vulneráveis, diz Arie Halpern

O avanço da tecnologia também nos torna mais vulneráveis, diz Arie Halpern

Até pouco tempo atrás era comum as pessoas saberem de cor os números de telefone mais importantes. Com a chegada dos celulares com suas agendas eletrônicas, muita gente já não sabe mais o número de seu próprio celular. Se, por um lado, a tecnologia nos trouxe inúmeros benefícios, por outro ela também nos deixa vulneráveis, diz Arie Halpern, economista e empreendedor com foco em inovações e tecnologias disruptivas.

Um exemplo de como a tecnologia nos torna vulneráveis são os automóveis inteligentes. Quando o fusca era o rei das ruas a lenda era de que ele nunca parava. E quando isso acontecia, em qualquer esquina se encontrava alguém para fazer um reparo. Quando não, fazia-se uma gambiarra qualquer e o fusca seguia adiante. Desmontar o seu motor e outras partes era diversão de fim de semana para muitos aficionados. “Os carros de hoje, com toda a eletrônica que levam a bordo, dependem de equipamentos sofisticados para diagnosticar e resolver problemas”, comenta Arie Halpern. “Se você tiver a má sorte de perder a chave de um desses carros, será necessário acionar o fabricante para obter uma duplicata da chave super-segura, quatro dias depois”.

É cada vez mais comum os motoristas deixaram de prestar atenção aos caminhos para se deixar guiar pelos os comandos emitidos pela voz sintetizada do Waze. Motoristas de aplicativos de carona, como o Uber, são obrigados a utilizar o trajeto fornecido pelo GPS.

Num espaço curto de tempo, os estudantes passaram a ter zilhões de bytes de informação que a internet coloca ao alcance de alguns cliques. Mas, em contrapartida, os estudantes não conseguem mais manter a atenção fixa no que estão fazendo (estudo de uma seguradora britânica calculava o tempo de atenção em 12 minutos em 1998 e 5 minutos em 2008). Trabalhos recentes, patrocinados pela Microsoft, mostram que as pessoas, em média, mantêm a concentração por 8 segundos apenas. Um peixinho de aquário consegue concentrar-se por 9 segundos. E uma pessoa que trabalha em escritório interrompe o que está fazendo 30 vezes em média por hora para consultas ao e-mail, whatsapp e outros aplicativos de mensagens.

Entre uma era e outra, nosso modo de vida foi modificado por seguidas disrupturas. Para Arie Halpern, nossa área de contato com o mundo se alargou e nos tornamos mais expostos devido à internet. Passamos a depender das máquinas e dos algoritmos em uma escala difícil de classificar e sobre a qual a imensa maioria evita pensar. Vamos vivendo alegremente sem nos darmos conta das vulnerabilidades que nos espreitam no mundo encantado da tecnologia e das facilidades.

Para ter uma ideia , basta zapear nos debates da Black Hat USA 2016, uma conferência de hackers em que se discutiram as fragilidades do mundo digital. Difícil dormir em paz quando se descobre que um botão tão banal como “conectar usando o Facebook” – que nos aparece quando acessamos um serviço novo – pode ser uma porta escancarada para a ação de programadores mal intencionados. Por trás desse botão há um protocolo denomidado OAuth que foi testado por cinco estudiosos da Carnegie Mellon University e um pesquisador da Microsoft. O trabalho, apresentado na Black Hat, concluiu que de 149 aplicações do protocolo, 89 foram mal implementadas, sendo, portanto, vulneráveis a ataques.

Outro estudo testou, apenas como hipótese, o risco de hackers de hardware assumirem o controle do sistema inteligente de iluminação Philips Hue. Encontrou diversas vulnerabilidades que nenhum consumidor nem de longe suspeitará ao acender, ingenuamente, a luz. Nesse admirável mundo em que já estamos vivendo, convém precaver-se: decorar os números importantes de telefone, prestar atenção aos caminhos e refletir sobre desafios e ameaças que a inovação tecnológica coloca diante de nós.


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