Tecnologia vestível, realidade diminuída e nova desordem mundial estão entre as tendências apresentadas no SXSW

Todos os anos, desde 2007, o Future Today Institute apresenta seu relatório Tech Trends, no qual, como diz o título, apresenta as tendências tecnológicas para o ano numa das mais concorridas sessões do SXSW. Realizado há três décadas, no Texas, o festival South by Southwest, ou SXSW, é o palco de novidades na tecnologia, no cinema e na música.

Este ano, ao apresentar a 14ª edição do relatório, a fundadora do Instituto e futurista Amy Webb subiu ao palco não com um, mas com 12 volumes em que foram analisadas 500 tendências no campo da ciência e tecnologia. Segundo ela explicou, o momento altamente disruptivo foi a razão da ampliação do relatório.

Entre os tópicos apresentados este ano, Amy Webb indicou três principais tendências.

  • Você das coisas

O conceito de You of things (ou você das coisas) considera que, com o avanço dos wearables, o corpo humano será cada vez mais integrado à tecnologia e se constituirá num banco de dados e informações. Esses avanços levarão ao fim dos smartphones e novos acessórios farão parte da conexão entre humano e tecnologia. Eles poderão, por exemplo, monitorar onde as pessoas estão, sua produtividade, a respiração e até as emoções ativando ações. Dispositivos implantáveis em desenvolvimento garantirão a segurança, evitando que o corpo seja hackeado, ou sequestrado, assim como possibilitando a conexão com outros dispositivos da casa inteligente.

  • Realidade Assistida e Realidade Diminuída

Realidade aumentada e realidade virtual darão lugar a novas configurações. A Assistive Reality (realidade assistida) é o uso de tecnologia para ajudar a realizar ações no mundo físico, como usar ondas sonoras para melhorar a concentração e a memória ou para atrair ou afastar pessoas. Ela inclui também o desenvolvimento de jogos com funções cognitivas para ajudar pessoas com transtorno de ansiedade, déficit de atenção e depressão.

A Diminished Reality se refere à realidade criada a partir de equipamentos que anulam estímulos ao redor dos usuários, como sons ou imagens incômodos. Essa tecnologia deve provocar disrupção em setores como o de imóveis, de carros, de aviões e de eventos. Outra tendência nesse campo é a Synthetic Media, a criação de avatares de pessoas que possibilita uma interação e aprendizado por parte desses bots por inteligência artificial. Há avanços, por exemplo, na criação de chatbots de pessoas falecidas a partir de informações de redes sociais e trocas de mensagens.

  • Nova Desordem Mundial

A pandemia fez com que aumentasse muito a quantidade de dados compartilhados. Para realizar atividades remotamente, eles precisam necessariamente ser inseridos em plataformas sociais, de videoconferência, apps de consultas via telemedicina, cadastros para campanhas de vacina, entre outros. Ao mesmo tempo, novos identificadores vão sendo criados com a necessidade de digitalizar os dados e informações sobre saúde.

“São novidades que certamente virão acompanhadas por profundas discussões de questões sobre segurança e ética, que teremos de avaliar com atenção”, afirma o especialista em tecnologias disruptivas, Arie Halpern.

O relatório aponta ainda dois cenários possíveis: o catastrófico e o de transformações. No catastrófico, previsto para 2036, as informações sobre a saúde são coletadas do corpo humano e atualizadas constantemente. As pessoas com maior poder aquisitivo poderão se tratar constantemente aumentando sua expectativa de vida. Mas também podem ficar sob uma espécie de vigilância constante, sendo advertida cada vez que fizer uma escolha que não seja saudável ou tiver uma reação inadequada.

No cenário positivo, teremos mais condições de perceber dificuldades e priorizar a solução dos urgentes problemas sociais. As relações serão mais abertas e transparentes e os legisladores não terão mais como ignorar assuntos urgentes.