Tecnologias abrem horizontes para pessoas com necessidades especiais

Na última década as tecnologias digitais mudaram radicalmente a vida de todas as pessoas. Mas, para pessoas com necessidades especiais, os impactos foram ainda mais positivos. Se os smartphones com conexão 4G abriram enormes possibilidades, as promessas daquilo que virá com a futura conexão 5G são imensas.

As novas configurações de interface com os usuários baseadas em comandos de voz, que se tornaram uma realidade disseminada por toda a sociedade, transformaram a vida dos deficientes visuais. Fazer ligações, ditar textos, obter informações de um dicionário, tudo isso pode ser realizado por comandos de fala. O mais interessante nesses casos é que não foram tecnologias desenvolvidas especificamente com o fim de atender aos cegos, mas criações que se propagaram em contextos mais amplos, e acabaram sendo muito úteis para essas pessoas. Programas que transformam o texto escrito em linguagem falada são um bom exemplo: antes da disseminação desses aplicativos de litura, o acesso às obras requeria o conhecimento do método braile e a produção de obras específicas nesse alfabeto. Sem dúvida, uma imensa economia de meios, e a abertura de possibilidades de trabalho e estudo que não poderiam ser imaginadas até há pouco tempo.

Embora existam exemplos como estes, de tecnologias que evoluem de maneira a atender um público amplo e acabam beneficiando as minorias, os especialistas entendem que será mais comum que esse mercado seja atendido por empresas de menor porte, capazes de lidar com as especificidades de seu público. O movimento geral do mercado aponta em determinada direção, ocupada pelas companhias globais de grande porte, para que, em seguida, diante dessa nova realidade, uma imensa gama de pequenos empreendedores busquem as oportunidades que serão oferecidas nesse contexto. Então surgem as tecnologias específicas para atender aos públicos específicos, como as pessoas com diferentes necessidades especiais, sejam visuais, auditivas, locomotoras ou intelectuais.

Se alguém acha que são casos isolados, basta conferir as estatísticas da Unesco para verificar que há no Brasil cerca de 45 milhões de pessoas com algum tipo de necessidade especial, o que representa quase um quarto da população. Isso tende a aumentar com o incremento da média de idade, já que na velhice naturalmente o corpo precisa de uma ajuda extra. Essa bem vinda ajuda, trazida pela tecnologia, representa por um lado a ampliação da possibilidade de negócios para os espíritos empreendedores, ao mesmo tempo em que abre, no início da nova década, possibilidades imensas de realização do potencial das pessoas que por algum motivo precisam de atenções complementares.

 

Com informações: Fundação Dorina Nowill; Unesco; BBC Tech