Tecnologias de captura de CO2 dão origem a vodca e diamantes feitos a partir do ar

As tecnologias de captura e armazenamento de carbono vêm se multiplicando, mesmo que ainda haja muitas dúvidas sobre sua viabilidade em larga escala e sobre a capacidade de realmente reduzir os impactos das mudanças climáticas. A maioria delas extrai dióxido de carbono do ar, seja de emissões industriais ou diretamente do ar, e o utiliza para outros processos substituindo produtos ou combustíveis geradores de gases de efeito estufa.

Atualmente, várias startups estão desenvolvendo processos de captura de CO2 para usar na fabricação de produtos como vodca, diamantes, lentes de óculos de sol, concreto, plástico e vários outros itens.

Instalada em Nova York, a Air Company usa carbono retirado do ar e de indústrias próximas à sua sede para produzir vodca, água de colônia e spray desinfetante à base de álcool. O slogan da empresa, que desenvolveu a tecnologia para transformar dióxido de carbono em álcool, é “fazemos produtos usando ar”.

Também a partir do ar, a Aether Diamonds produz diamantes. Segundo a startup, cada quilate produzido retira 20 toneladas de CO2 da atmosfera.  Diamantes sintéticos são feitos em laboratório por um processo que extrai carbono a partir de gás metano e o insere em reatores para formar as gemas. O processo é demorado e intensivo no uso de e energia.

No processo usado pela Aether Diamond, a pedra tem pouco CO2, mas ela se vale de créditos de carbono ao financiar empresas que capturam carbono do ar.

Lentes de óculos de sol e lava roupas

Na Califórnia, a Twelve desenvolveu um eletrolisador que transforma o CO2 em gás de síntese (syngas), uma mistura de monóxido de carbono e hidrogênio que é usada para fabricar peças para interiores de carros, ingredientes para lava roupas e lentes de óculos de sol. Para isso, fez parcerias com a Mercedes-Benz, Tide e Pangaia. A empresa desenvolve também a produção de combustível de aviação, em parceria com a Força Aérea dos Estados Unidos.

No Reino Unido, a Econic Technologies desenvolveu polímeros sustentáveis que podem substituir plásticos usados em bens de consumo e a também britânica Adaptavate criou um material usado em drywalls que absorve o CO2 do ar.

Ainda que iniciativas como estas tragam benefícios para retirar o CO2 da atmosfera, a maioria dos processos demanda muita energia e tem alto custo. Alguns especialistas argumentam que a captura de carbono deveria ser usada para tirá-lo definitivamente e não para ser reaproveitado. “Ainda que não seja a solução definitiva, a captura e reúso de CO2 para novos fins pode ser uma etapa intermediária importante para reduzir o aquecimento global”, afirma Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.