Tecnologias embarcadas promovem revolução no cultivo de algas marinhas

A mecanização e o uso de robôs estão vencendo alguns desafios para o cultivo de algas oceânicas. Há muito tempo é sabido que elas oferecem uma série de vantagens sobre plantas terrestres: crescem rapidamente, absorvendo nutrientes e dióxido de carbono da água, além de não competir com solos que poderiam ser usados para outras atividades urbanas, industriais ou mesmo com as culturas de alimentos humanos mais específicos. “Os inúmeros benefícios da agricultura nos oceanos são bastante conhecidos, mas era preciso superar as dificuldade para lidar com uma atividade em larga escala no meio do mar, e, para isso, foram desenvolvidas tecnologias que estão ultrapassando esse gargalo alcançando um novo patamar de produtividade”, explica o especialista em tecnologias diruptivas Arie Halpern.

As algas podem ser usadas para uma série de produtos como biomassa, para entrar na composição de alimentos industrializados, rações, cosméticos e até mesmo em substituição ao petróleo, como combustíveis e elementos químicos para a fabricação de plásticos, por exemplo. Além disso, uma vantagem paralela é que as algas absorvem uma grande quantidade de gás carbônico disperso nas águas quando estão em fase de crescimento, podendo – ao mesmo tempo em que poupam novas terras de cultivo – contribuir dessa maneira com a absorção de um elemento químico que está provocando o aquecimento da atmosfera.

A incrível variedade de algas que podem ser aproveitadas para fins econômicos permite que empresas especializadas sejam instaladas em regiões tão diferentes como as geladas Ilhas Feroe, um território da Dinamarca no Atlântico Norte, na qual atua a Ocean Rainforest, por exemplo, ou então na ensolarada Califórnia. A mesma empresa está se instalando na região com subsídios do governo do Departamento de Energia do governo norte-americano. A produção de algas marinhas disparou nos últimos anos, ultrapassando 30 milhões de toneladas anuais, relata a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, em um mercado avaliado em US$ 6 bilhões em todo o mundo.

Mecatrônica embarcada

Universidade Aarhus, da Dinamarca, está desenvolvendo um novo modelo de navio para o cultivo de algas com potencial para acelerar o desenvolvimento do setor.  Ele é equipado com um spinner robótico que envolve automaticamente os carretéis que transportam mudas em linhas, prontas para serem implantadas no mar. A partir desse dispositivo, elas são depois içadas para bordo, processadas e empacotadas, para serem descarregadas já condicionadas em terra firme.

Com informações: BBC Tech; Universidade Aarhus; Ocean Rainforest; Departamento de Energia dos Estados Unidos da Amércia; FAO.