Tela, lousa ou quadro negro

O uso de assistentes digitais e de realidade virtual e aumentada nas salas de aula está presentes em praticamente todas as listas de tendências na educação. Alguns especialistas afirmam que interações sem tela serão a próxima onda, pós-Facebook, Twitter e Instagram.

Com a realidade virtual, os professores poderão levar os alunos para viagens de estudo virtuais, sem sair da sala de aula. Aplicativos como o Google Expedition possibilitam conhecer a muralha da China, o Coliseu ou o museu do Louvre – experiência que certamente tornará mais atraentes e interessantes as aulas de história e geografia, entre outras disciplinas.

Assistentes digitais, como Google Home, Amazon Echo, Apple HomePod e Lenovo Smart Assistant, também devem entrar em sala de aula em breve. Atualizar dados, pesquisar o significado ou traduzir termos e cronometrar o tempo de uma atividade são alguns dos recursos possíveis. Assim como criar lembretes e marcar deadlines na agenda.

Mas essa tendência considerada “irresistível” por muitos especialistas também alimenta o debate sobre as vantagens e desvantagens de seu uso em sala de aula. Ou mesmo fora dela. Em muitos lugares ainda não há consenso sobre a adoção de métodos como ensino à distância nos níveis fundamental e médio, ou do ensino híbrido.

O ensino híbrido (blended learning) combina materiais e práticas de aprendizagem tradicionais (presenciais) e online. O método vai além do uso de lousas digitais, ipads e apps durante as aulas. Uma das vantagens é que, enquanto nas práticas tradicionais o ritmo é o mesmo para todos alunos, o conteúdo online permite que cada um avance de acordo com seu interesse e capacidade.

Quadro e giz

Ao mesmo tempo, no Vale do Silício, em escolas como a Waldorf Península, os professores usam quadro negro, giz e livros impressos. Nas salas de aula onde estudam os filhos de muitos dos executivos e funcionários das empresas de tecnologia mais famosas do planeta, telas e outros dispositivos só são usados a partir do ensino médio.

Os pais também limitam o tempo que seus filhos usam computador e celular em casa. O argumento é que os benefícios não compensam o risco de criar um vício que prejudica o desenvolvimento cognitivo e emocional e de perda de privacidade.

No ano passado, ex-funcionários de algumas das gigantes de tecnologia, criaram o The True About Tech. Um movimento para persuadir as empresas a desenvolver produtos mais éticos, especialmente, no que diz respeito às crianças. Eles também desenvolvem materiais e workshops para conscientizar pais e professores sobre os riscos no uso da tecnologia.

“Acredito que a questão não está em usar ou não os recursos tecnológicos, mas, sim, na maneira como a tecnologia é inserida no dia-a-dia da criança. Há questões de segurança importantes, que exigem o acompanhamento atento dos pais e envolvem a disponibilização – ou não – de dados de navegação, imagens e conteúdo”, pondera Arie Halpern, empresário e especialista em tecnologias disruptivas. “O debate deve ser ampliado para além da questão das lousas digitais e celulares em sala de aula; precisamos discutir como queremos educar as novas gerações para a cibercultura”, avalia o executivo.

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