Terapia com luz cria esperança para tratamento do diabetes

Há muito tempo pesquisadores do mundo todo vêm tentando dar uma resposta mais eficiente ao diabetes, doença que acomete 422 milhões de pessoas no mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Esse número é um salto imenso em relação aos 108 milhões estimados no ano de 1980. Os principais fatores de risco são a obesidade, o sedentarismo e o consumo excessivo de bebidas alcóolicas. Até agora, os casos mais graves de diabetes têm sido controlados com injeções de insulina que afetam a qualidade de vida dos pacientes.

Pesquisadores da Tufts University, no estado norte-americano de Massachusetts, criaram uma tecnologia revolucionária que promete modificar a realidade do tratamento. O estudo foi publicado na ACS Synthetic Biology. A ideia, testada com camundongos em laboratório, é retirar do paciente amostras de células do pâncreas (o órgão que produz naturalmente a insulina), modificá-las e reintroduzi-las no paciente.

O mais impressionante dessa descoberta é que as células produziram uma quantidade maior ou menor de insulina de acordo com a quantidade de luz azul a que foram submetidas. As células beta pancreáticas foram manipuladas com um gene que codifica uma enzima adenilato ciclase fotoativável (PAC). O PAC produz a molécula adenosina monofosfato cíclica (AMPc) quando exposta à luz azul, que por sua vez aumenta a produção de insulina estimulada pela glicose na célula beta. A produção de insulina pode aumentar duas a três vezes, mas apenas quando a quantidade de glicose no sangue é alta. Em baixos níveis de glicose, a produção de insulina permanece baixa.

“O nome dessa nova abordagem no campo da saúde é ‘optogenética’, que basicamente significa a modificação de características genéticas de células pela submissão a determinados espectros de luz”, explica o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. “A boa notícia” – continua ele – “é que já se abre um campo muito promissor a uma das doenças que mais preocupam as autoridades de saúde no mundo, e que pode aumentar exponencialmente nos próximos anos com o envelhecimento e a urbanização da população”.

 

Vantagens comparativas

Nos tratamentos atuais para diabetes, as injeções de insulina podem causar hipoglicemia ao compensar excessivamente a quantidade de açúcar no sangue, o que seria evitado pela capacidade autorregulável das células submetidas à terapia optogenética.  A regulação da glicose no sangue deixa assim de ser um processo manual, levando frequentemente a picos e vales que podem ter efeitos nocivos em longo prazo. Além disso, os pesquisadores relataram que, apesar do aumento da secreção de insulina, a quantidade de oxigênio consumida pelas células não muda significativamente. A falta de oxigênio era um problema comum em estudos que envolvem células pancreáticas transplantadas.

 

Com informações:  Tufts University; Organização Mundial de Saúde (OMS);  ACS Synthetic Biology; Phys.

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