Terapia usa câmara hiperbárica para retardar o envelhecimento

A expectativa de vida aumentou consideravelmente. De acordo com o censo do IBGE, de 2019, a expectativa de vida dos brasileiros é de 76,6 anos, 31 anos a mais do que em 1940. Ou seja, era comum que as pessoas nascidas no início do século passado não chegassem aos 50 anos. Com a vida mais longa, aumentam os riscos de doenças crônicas e problemas de saúde justamente numa fase em que a produtividade diminui.

A pressão econômica de uma população que precisa de mais e mais complexos serviços de saúde e a necessidade de manter a qualidade de vida faz com que muitos cientistas se dediquem a estudar tecnologias e processos para retardar ou reverter o envelhecimento.

Uma das terapias experimentais que mais tem atraído atenção é telomerase, considerada por muitos como a principal forma de medicina regenerativa que, além de retardar o envelhecimento, pode ser usada na cura de doenças. Descoberta em 1985, pelos americanos Elizabeth Blackburn, Carol Greider e Jack Szostak, a telomerase é uma enzima que adiciona sequências repetitivas na extremidade dos cromossomos, onde está o telômero. Estudos sugerem que, ao aumentar artificialmente a quantidade de telomerase nas células, é possível reverter atrofias, regenerando tecidos. Ainda em caráter experimental, esse tipo de terapia ainda não foi validada.

Saturação de oxigênio no sangue

Pesquisadores da Escola de Neurociências Sagol, da Universidade de Tel Aviv, em Israel, estão testando uma nova alternativa. Eles conseguiram não só reverter o encurtamento dos telômeros, mas até aumentaram. A terapia consiste em respirar oxigênio puro em uma câmara pressurizada com níveis de pressão de 1,5 a 3 vezes maiores que a média. É o que conhecemos como oxigenoterapia hiperbárica (OHB), já usada para tratar problemas causados por descompressão em mergulhadores de águas profundas intoxicados por monóxido de carbono.

Nos testes clínicos, cerca de 30 pessoas com mais de 64 anos se submeteram a sessões de 90 minutos numa câmara hiperbárica, uma vez por semana, durante três meses. Amostras de sangue foram colhidas mensalmente antes e durante o tratamento e, duas semanas depois da última sessão, o resultado foi comprovado.

Para o especialista em tecnologias disruptivas, Arie Halpern, “embora os ensaios dessa nova terapia tenham envolvido um número pequeno de participantes, assim como os testes feitos com a adição de enzimas telomerase, os resultados são promissores no sentido de estender ainda mais a longevidade e manter a qualidade de vida”.

No afã para reverter o envelhecimento, surgem também alguns métodos controversos. Nos Estados Unidos, causou barulho a ideia de transfusões de sangue usando plasma de jovens como forma de retardar o envelhecimento. No ano passado, a FDA, agência reguladora do setor de alimentos e medicamentos norte-americana, chegou a emitir um alerta de que não havia comprovação dos benefícios dessa prática.