Termômetros online criam mapa virtual de coronavírus nos EUA

A “internet das coisas”, conexões com objetos de cotidiano que formam uma rede de informações, há muito tempo vem sendo apresentada como uma promessa a ser realizada no futuro, que traria uma revolução para a vida das pessoas. Em meio a uma situação que ninguém gostaria que estivesse acontecendo, a crise da disseminação do Covid-19, parece que finalmente esse cenário se tornou realidade, com uma contribuição que pode ser decisiva para a saúde pública.

Uma fabricante norte-americana de termômetros inteligentes, a Kinsa, oferece um produto que consegue acessar o celular do cliente e, mantendo o sigilo dos dados pessoais, envia a temperatura online para uma central, que organiza a informação por região geográfica e a disponibiliza online para as autoridades de saúde e a população. Assim, é possível saber em tempo real se há uma anomalia nas medições de febre em determinado distrito no momento em que elas acontecem. Os dados são comparados com um banco das gripes sazonais, que atingem a população no inverno, e a eventual discrepância indica que algum evento diferente está acontecendo. Nesse caso, provavelmente a contaminação pelo novo coronavírus. Antes dessa tecnologia, o trabalho de verificação do caminho do vírus poderia ser feito apenas com semanas de atraso, quando já seria tarde demais para tomar uma atitude mais drástica, como reforçar a quarentena, por exemplo. O trabalho de pesquisa e prospecção está sendo feito em parceria com cientistas da Universidade Estadual do Oregon.

“Quando temos uma situação tão difícil como a que estamos passando, a coleta de dados é um componente fundamental para o planejamento da saúde pública, e mesmo para que as pessoas possam saber o que está acontecendo, se planejarem e se prevenirem da melhor maneira”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. “É fantástico que possamos ter os dados do momento da medição da febre, e isso se torne assim informação útil para ajudar no combate à pandemia”, completa.

Base de dados

No início da disseminação do Covid-19, a Kinsa  já tinha vendido mais de 1 milhão de equipamentos nos Estados Unidos, normalmente usados no inverno do hemisfério norte para o monitoramento da gripe sazonal. Mas, desde então, mais 10 mil unidades estão sendo vendidas por dia. Isso garante uma base de dados massiva, que indica com precisão o espraiamento das contaminações.

Com informações: OMS; Kinsa; Universidade Estadual do Oregon; TechCrunch