Terreno fértil para startups

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Haverá vantagem em cavoucar a mina do empreendedorismo e da inovação? Em buscar no ecossistema brasileiro aquelas empresas que são preciosas por serem capazes de gerar riqueza a partir da criatividade, da inteligência, da ousadia para provocar disrupturas e da disposição para correr riscos?Tomemos como resposta a contribuição das startups para a economia norte-americana. Pelos cálculos da consultoria Compass (em The Global Startup Ecosystem Ranking 2015), nove empresas norte-americanas de tecnologia – Apple, Amazon, Google, Facebook, Twitter, Groupon, Zuinga, Salesforce e VMware – criaram juntas US$ 1 trilhão em riqueza. Há 15 anos, exceção feita à Apple, elas não existiam ou eram irrelevantes. Hoje representam quase 7% do Produto Nacional Bruto dos Estados Unidos.

Outra referência: Israel, nação com 8 milhões de habitantes e todas as dificuldades naturais e geopolíticas conhecidas. Graças à política de incentivo às empresas de tecnologia – cerca de 5% do produto nacional do país são investidos em pesquisa e desenvolvimento –, as startups florescem e atraem investimentos do mundo todo. A gestão desses recursos é feita por órgão governamental dedicado a apoiar as startups, o Office of the Chief Scientist. Há cerca de uma centena de startups israelenses com papéis negociados na Nasdaq. Em 2014, nove IPOs de empresas israelenses atraíram mais de US$ 9 bilhões de investidores.

Agora, olhemos para nós mesmos. No ranking dos melhores ecossistemas para startups, feito pela Compass, a cidade de São Paulo desponta na 12ª posição, entre Paris e Moscou. Entre outros indicadores relevantes estão disponibilidade de capital de risco; grande quantidade de startups tecnológicas ativas (entre 1.500 e 2.700) e Bolsa de Valores que tem bom volume de negócios. Por fim, o relatório ressalta a influência que histórias de sucesso de empresas como Dafiti, Netshoes e Easy Taxi têm exercido sobre profissionais talentosos, estimulando-os a trocar a carreira corporativa pela vida de empreendedor. O que eles nos dizem é que o terreno é fértil para o florescimento de startups. O que falta é mobilizar as energias de nossos empreendedores com os estímulos certos. Há projeto de lei no Congresso (PL 6625/13) que prevê incentivos para empresas de pequeno porte.

Precisamos, mais do que isso, estimular as empresas que queiram faturar alto. Por que não oferecer incentivos fiscais para quem se dispuser a investir em startups – espécie de lei Rouanet da inovação tecnológica? Se acenarmos para empreendedores com essas fontes de recursos, certamente veremos a tão exaltada criatividade do brasileiro funcionar para valer, materializando-se em produtos, tecnologias inovadoras e bons negócios.

Artigo publicado no jornal Diário do Grande ABC, em 08 de dezembro de 2015.


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