TikToK: batalha por hegemonia entre China e Estados Unidos

O mês de setembro é decisivo para uma das maiores disputas entre as grandes potências, Estados Unidos e China, no setor de tecnologia. O governo norte-americano pressiona a empresa Byte Dance, dona da plataforma chinesa TikTok, a vender o seu motor de buscas de vídeo, para que ele permaneça sediado nos próprios Estados Unidos. A empresa, no entanto, hesita em aceitar essa solução. Há três semanas, havia noticiado que seguiria a regulamentação de venda de ativos de Pequim, bastante restritiva à venda de tecnologias a outros países, o que tornaria o negócio praticamente inviável.

A administração de Donald Trump parece estar inflexível, e adverte que se a venda não for feita, vai encerrar as atividades do TikTok em solo americano. Diante dessa ameaça, uma nova rodada de negociações entre a detentora chinesa dos direitos da plataforma e empresas norte-americanas se intensificou. As apostas iniciais davam conta de que o negócio seria fechado com a Microsoft, de Bill Gates. No entanto, numa reviravolta esta semana, os analistas passaram a apostar num acordo com a Oracle.

O presidente Trump, em meio à corrida eleitoral, alega potencial de espionagem, uma vez que a Byte Dance teria acesso a dados de cidadãos norte-americanos. Esse embate se dá pela primeira vez a respeito de uma tecnologia “soft” dos chineses, que está relacionada ao comportamento cultural de adolescentes. A preocupação das autoridades de Washington atesta que a China atingiu a maioridade em uma área de atuação na qual não se aventurava até bem pouco tempo atrás.

Essa é uma diferença fundamental deste novo momento da economia chinesa para aquilo que ela oferecia até bem pouco tempo atrás. A China havia se especializado na produção – nos anos 90 – de bens com baixo valor agregado, competitivos apenas pelo baixo custo da mão de obra local, como têxteis ou peças plásticas. Após esse primeiro surto de desenvolvimento, a indústria foi se especializando e sofisticando, até que passou também a disputar o mercado de produtos eletrônicos e veículos, por exemplo. Mas, com o TikTok, é diferente: são milhões de jovens americanos que estão curtindo um produto cultural que vem do outro lado do Pacífico.

Os Estados Unidos, que, durante todo o século 20, tiveram a primazia da exportação de bens culturais, como o cinema ou a música, sentiram o golpe. Aquilo que parecia uma reserva de mercado intocável, de uma hora para outra entrou no radar do país emergente que eles mais temem. De uma forma ou de outra, o que será decidido durante este mês no caso do TikTok deve ser acompanhado com muito interesse por todas as pessoas bem informadas do mundo, porque, por trás da decisão a respeito de uma plataforma de compartilhamento de amenidades juvenis, estará indicado o destino das grandes potências econômicas globais nas próximas décadas.

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