Tinta spray transforma superfícies irregulares em telas sensíveis ao toque

As telas touchscreen foram apresentadas aos usuários há cerca de uma década em terminais bancários, mas, desde então, se tornaram uma ferramenta indispensável para a popularização dos smartphones, que hoje estão (às vezes) no bolso e (na maior parte do tempo) nas mãos das pessoas. Essa tecnologia, sem a qual não imaginamos mais o nosso modo de vida, pode passar por uma nova revolução em breve, a partir de uma criação de pesquisadores da Unversidade de Bristol, no sul da Inglaterra. Eles apresentaram no início desta semana uma tinta que pode ser colocada num tubo de spray, e, quando dispersada sobre uma superfície, torná-la uma tela touchscreen. O trabalho foi apresentado e recebeu uma menção honrosa na Conferência da Association for Computing Machinery, sobre Fatores Humanos em Sistemas de Computação (CHI)considerada a de maior prestígio no campo da interação humano-máquina.

“Uma das principais vantagens desse tipo de tecnologia seria a aceleração da incorporação de interfaces que podem ser conectadas via Internet das Coisas”, avalia o especialista em tecnologia disruptivas Arie Halpern. Segundo Halpern, a adoção da banda de transmissão de dados 5G, que já começou na Coreia do Sul e nos Estados Unidos, e deve chegar ao Brasil dentro de aproximadamente um ano, deve dar um impulso significativo à nova realidade de objetos do cotidiano que se comportam de maneira inteligente por meio de conexões ultrarrápidas.

A vantagem dessa tinta em relação à tecnologia atualmente disponível é que ela permitirá que objetos tridimensionais, mesmo que em formatos irregulares, sejam dotados de sensibilidade ao tato para realizar interações. Hoje, é preciso uma tela em duas dimensões, totalmente lisa. De acordo com os desenvolvedores, o processo é muito acessível: qualquer usuário final poderia comprar um spray feito com tinta condutora e aplicar na superfície que desejar, transformando-a num equipamento capaz de interação. A inspiração veio do trabalho de grafiteiros que são comuns no Reino Unido, assim como no Brasil. 

Impressora 3D

O próximo passo será desenvolver produtos em impressoras 3D, que poderiam ser programadas para já produzi-los enquanto são borrifados com este tipo de tinta, estabelecendo com precisão pontos de interesse que seriam transformados em telas do tipo touchscreen.

Com informações: Universidade de Bristol; Phys; Association for Computin Machinery; Engenharia 360