Traje para a primeira mulher a pisar na lua entra em teste

O primeiro modelo da nova geração de trajes espaciais que a Nasa está desenvolvendo entrou em fase de testes no Laboratório de Flutuação Neutra da Nasa (Neutral Buoyancy Laboratory). Localizado no centro espacial em Houston, no Texas, o laboratório usado para treinamento dos astronautas possui um reservatório gigante com flutuação neutra, que simula o ambiente de microgravidade.

Batizado de Unidade de Exploração Móvel Extraveicular (Exploration Extravehicular Mobility Unit) ou xEMU, o traje foi desenvolvido especialmente para as condições hostis do ambiente lunar, muito diferente dos destinos mais comuns das missões espaciais.

O voo, planejado para 2024, será a primeira missão tripulada para a lua em 48 anos, desde que o Apollo 17 pousou na superfície lunar, em 1972, e faz parte da missão Artemis.

A roupa que está sendo testada é a primeira de cinco modelos que serão produzidos. O segundo também será usado para testes no centro espacial e o terceiro, em órbita, na Estação Espacial Internacional. Os outros dois serão os que efetivamente vestirão o casal de astronautas que pisará na lua. Eles terão também uma roupa de resfriamento interno e um sistema portátil de sobrevivência, uma espécie de mochila, que está sendo atualizado pela Nasa.

Roupa tamanho único

Uma das preocupações da agência no desenvolvimento dos novos trajes é que eles sirvam para pessoas com diferentes tamanhos e gêneros, garantindo a mobilidade e o conforto necessários para as missões de exploração espacial. A falta de trajes espaciais adequados para astronautas mulheres fez com que a Nasa tivesse que desistir de uma programada caminhada espacial exclusivamente feminina, que marcaria o dia internacional da mulher, em 2019.

Para o economista Arie Halpern, a preocupação com a diversidade nas missões espaciais se justifica. “Há muitas mulheres cientistas e astronautas desenvolvendo conhecimento de ponta, e também pessoas em centros de pesquisas das mais diversas nações e etnias. Se nosso propósito é construir conhecimento coletivamente e buscar alternativas para o futuro da humanidade, é importante que projetos com diferentes visões e bagagens culturais sejam testados na fase exploratória”, garante o executivo com  grande experiência em tecnologias disruptivas.

O novo projeto da Nasa também traz de volta a memória das missões Apollo, responsáveis pela chegada do homem à lua, mas que também teve alguns reveses. A corrida espacial entre os Estados Unidos e a então União Soviética deu origem à própria Nasa, no fim da década de 1950. Mas somente quase 20 anos depois, com a Apollo 11, finalmente Neil Armstrong se tornou o primeiro humano a pisar na lua e pronunciando a famosa frase: “É um pequeno passo para o homem, mas um passo gigante para a humanidade”.

Com custo estimado de US$ 28 bilhões, o programa Artemis, que levará a primeira mulher à lua, ainda depende da aprovação de parte da verba pelo Congresso americano.