Turbinas eólicas flutuantes que surfam no oceano são o novo modelo de geração de energia renovável

Depois de fincarem seus grandes cataventos na superfície, as chamadas onshore, ou no oceano próximo à costa, em profundidade de até 30 metros, offshore, as turbinas eólicas estão avançando para águas mais profundas e mais distantes, onde o vento é mais forte e interfere menos na paisagem. Instaladas em plataformas flutuantes, ao contrário das offshore que são fixas no fundo do oceano, as turbinas ficam praticamente surfando no mar.

“A produção de energia em parques eólicos flutuantes abre uma nova e promissora perspectiva tecnológica para a geração de energia renovável e, consequentemente, das emissões de gases de efeito estufa e atendimento das metas climáticas”, afirma o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. “Além de possibilitar o uso de turbinas maiores e mais potentes, há um potencial enorme de expansão, já que 80% da área dos oceanos possui grande profundidade”, completa.

Instaladas em áreas com mais de 100 metros de profundidade, as plataformas flutuantes são mantidas por cabos presos a âncoras no fundo mar. De acordo com pesquisadores da Universidade de Stuttgart, na Alemanha, as turbinas flutuantes podem produzir mais energia do que as instaladas onshore ou offshore, não só porque os ventos são mais fortes em águas mais profundas, mas também porque essa tecnologia permite instalar turbinas maiores. Com torres que podem chegar a 300 metros, por exemplo, elas podem gerar três vezes mais energia do que as turbinas terrestres mais avançadas atualmente.

Turbinas gigantes com 170 metros de altura

Projetos com essa tecnologia já estão sendo instalados na Escócia, em Portugal e no Japão. No norte da Escócia, há o projeto Hywind Scotland, com cinco torres de 170 metros de altura e a cerca de 30 quilômetros da costa, que gera eletricidade suficiente para a bastecer 36.000 casas. Com quase o dobro da capacidade, o projeto WindFloat Atlantic, em Portugal, irá produzir energia suficiente para 60.000 casas. E a França possui projetos para instalação de parques eólicos flutuantes na costa da Bretanha e do Mediterrâneo.

Alguns especialistas questionam os custos elevados da instalação de turbinas eólicas offshore flutuantes. Atualmente, a eletricidade que geram é quase duas vezes mais cara do que a das turbinas eólicas próximas à costa e três vezes maior do que as turbinas eólicas terrestres. Além da complexidade de transportar e instalar equipamentos de dimensões tão grandes, o alto poder de corrosão do ambiente marinho diminui a vida útil deles. Mas, assim como aconteceu com as outras tecnologias de geração de energia, especialmente eólica e solar, os custos devem cair rapidamente à medida que os projetos se multiplicam e se tornam mais eficientes.

Além de se beneficiar dos avanços no desenvolvimento de tecnologias de geração eólica nos últimos anos, os projetos de plataformas flutuantes podem se valer também da experiência da indústria de petróleo e gás, que há décadas usa know-how de produção em ambiente marinho.