Uma visão disruptiva da educação, segundo Arie Halpern

Uma visão disruptiva da educação, segundo Arie Halpern

Uma visão disruptiva da educação, segundo Arie Halpern

A tecnologia chegou às salas de aula: nas escolas públicas nos Estados Unidos, há pelo menos um computador para cada estudante, e elas investem US$ 3 bilhões por ano em projetos de conteúdo digital. O Brasil ainda está atrás: apenas um computador para cada 22 alunos. Os computadores, isoladamente, não influenciam no desempenho das crianças, mas a chegada da tecnologia no ensino abre novos horizontes.  “Estudos sugerem que metade das crianças de hoje trabalharão em profissões que ainda não existem”, explica Arie Halpern, economista e empreendedor focado em inovação e tecnologias disruptivas. “Isso significa que, mais importante do que a memorização de informações que o sistema de educação atual defende, é necessário fazer com que as crianças desenvolvam habilidades do século XXI: iniciativa, liderança, adaptabilidade.”

Tecnologias como os videogames  já se mostraram eficientes em ensinar matemática às crianças, aumentando o interesse delas sobre a matéria, principalmente pelo fato de os jogos mudarem a dificuldade de seus desafios de acordo com a facilidade de cada criança para resolvê-los. Dessa forma, o jogo consegue se adaptar à necessidade de cada aluno individualmente, algo que um professor dificilmente conseguirá fazer. Atualmente, professores nos Estados Unidos conseguem ensinar em uma velocidade de aprendizado adequada para apenas um terço dos alunos da sala de aula. Foi esse tipo de cenário que levou os fundadores do Knewton a desenvolver um software de aprendizado adaptativo que usa algoritmos para oferecer conteúdo personalizado a cada estudante de acordo com suas forças e fraquezas. Esse tipo de tecnologia permite que os professores se concentrem nos alunos que precisam de mais ajuda para compreender determinada matéria.

Dispositivos de realidade virtual também têm sido adotados em salas de aula, mesmo que a passos lentos, devido à reduzida oferta de modelos. O Google Cardboard, que permite aos estudantes fazer tours virtuais em qualquer parte do mundo, é um deles. Outro aplicativo do gênero é o Sky Map, que mostra um mapa 3D das constelações. Além da realidade virtual, as impressoras 3D têm muito potencial como tecnologia disruptiva da educação, segundo Arie Halpern. Mas o que uma impressora 3D pode fazer  nas salas de aula? “No futuro, os estudantes poderão imprimir modelos de diversos tipos para ajudar no seu aprendizado, como órgãos do corpo, esqueletos e estruturas moleculares, coisas que seriam muito mais difíceis de entender apenas como conceitos teóricos”, explica Halpern.

Outra tecnologia que pode acelerar a mudança disruptiva na educação é o monitoramento visual. Atualmente, a biometria é vista como parte da indústria de segurança: digitais, reconhecimento facial e comandos de voz. Na educação, a biometria pode acelerar processos burocráticos, como alugar livros na biblioteca, mas pode fazer muito mais. O monitoramento visual, por exemplo, fornece informações valiosas sobre como os estudantes absorvem e entendem o conteúdo de aprendizado. Esse tipo de estudo já tem sido utilizado no marketing para entender como os clientes consomem propaganda. Mirametrixs é uma das empresas que estão utilizando essa tecnologia para compreender como os estudantes aprendem conteúdo em lições online.

É interessante notar, no entanto, que a tecnologia dentro das salas de aula nem sempre melhora o desempenho dos alunos, aliás, há poucas evidências de que a tecnologia em si ajude os alunos a aprender. “Isso provavelmente acontece porque estamos utilizando tecnologias novas com uma técnica de ensino que ainda remonta ao século passado”, explica Arie Halpern. “O avanço disruptivo na educação terá de acontecer não apenas no equipamento que utilizamos para ensinar, mas também na metodologia das escolas.” O portal TED-Ed conversou com diversos professores para saber o que eles pensavam sobre o futuro da educação: alguns apoiam as tecnologias, outros acreditam que escolas não existirão mais em 2050 e outros acham que pouca coisa no sistema de ensino vai mudar. O que é certo é que cada vez mais os estudantes terão um mundo de aprendizado em suas mãos.


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