USP cria lente do futuro, mil vezes mais fina que um fio de cabelo

Pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos, uma unidade da Universidade de São Paulo situada no interior do Estado, acabam de anunciar um avanço tecnológico com potencial de revolucionar as lentes filmadoras e fotográficas num futuro breve. Enquanto hoje existe uma limitação para miniaturizar as lentes que são capazes de efeitos, como a grande angular, por exemplo, que precisa ser esférica, o novo equipamento, pela primeira vez, foi desenvolvido em uma superfície plana. Mas, um feito ainda mais espetacular, considerado por especialistas do mundo todo como um verdadeiro milagre, é que a lente tem apenas 230 nanômetros de espessura, o que equivale a um milésimo de um fio de cabelo.

“Com essas características, a aplicação dessa tecnologia em câmeras de celulares e mesmo em câmeras profissionais deve ocorrer muito rapidamente, tornando os equipamentos mais leves e até mesmo mais baratos, o que pode ser esperado pelo tipo de material e de tecnologia usados para sua produção”, avalia o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. Nos próximos meses, a equipe espera anunciar a obtenção de um quadro de cores completo, uma vez que nesse primeiro modelo apresentado há uma limitação no espectro alcançado.

A lente apresentada pelos técnicos tem 3,14 milímetros quadrados e é capaz de obter um ângulo de visão de 180 graus. Ela é feita de silício, e pode atuar sozinha dentro do celular, sem que sejam necessárias incorporações de outros equipamentos para obter imagens em alta resolução. A pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a Fapesp, e os resultados publicados em uma das revistas especializadas mais importantes do mundo, a ACS Photonics.

 

Ângulo impossível

A dificuldade de se fazer uma lente plana vem de uma característica da refração da luz. Conforme se deixa mais plana uma lente convencional, mais o campo de visão dela se abre e a qualidade da imagem melhora; mas, quando ela fica 100% plana, seu índice de refração se torna infinito, o que, na prática, é algo impossível de acontecer. No entanto, como a película de silício desenvolvida na USP tem princípios físicos diferentes das lentes comuns, ela foi capaz de reproduzir o efeito da lente esférica com índice infinito.

Com informações: Fapesp; EESC-USP; AC Photonics; Cidade On.