Vai pagar no crédito? Pague com criptomoedas

Apesar de ainda ser alvo de desconfiança (e desconhecimento) e ser aceito como pagamento por poucos milhares de estabelecimentos no mundo, o bitcoin segue ampliando seu espaço e, consequentemente, o de outras criptomoedas.

Baseado na filosofia Cypherpunk, grupo ativista que lutava pela autonomia de cada um em relação aos seus dados e defendia o uso de sistemas anônimos, e criado por Satoshi Nakamoto,  pseudônimo utilizado pela pessoa ou pessoas que criaram a moeda, e na esteira da crise financeira de 2008, o bitcoin chegou agora ao cartão de crédito.

Com mais esse avanço, quem tem fundos em bitcoin pode pagar suas compras do dia a dia com a moeda e o valor é debitado diretamente do saldo do investimento. O funcionamento é mais parecido com o do cartão de débito, com o valor da compra sendo descontada diretamente na conta e sem fatura. Mas, como é feito na opção crédito (nas maquininhas de cartão, por exemplo), ele também pode ser usado em plataformas de serviços como Netflix e Spotify.

Até hoje, os cartões disponíveis para quem quisesse fazer transações usando suas criptomoedas eram uma espécie de pré-pago.

O aumento da popularidade da criptomoeda criou simultaneamente a necessidade de os portadores de criptografia serem capazes de acessar rapidamente seus fundos para gastos.

Quando foi criado, a ideia era que o bitcoin fosse uma moeda para uso no dia a dia, como o dólar ou o real, mas a desconfiança e incertezas geradas por uma moeda virtual, a acelerada valorização, além das taxas de operação que são elevadas, fazem com que a adesão de comerciantes ainda seja baixa.

Até recentemente, as únicas opções para quem tinha criptomoedas eram investir, mantendo o investimento em longo prazo, ou negociar especulativamente. Para usá-las em gastos do dia a dia, era preciso convertê-las em outra moeda e esperar o crédito na conta bancária.

Carros elétricos e cashback

Nos últimos seis meses, a moeda que, em 2020, valorizou mais de 300% e cuja cotação superou US$ 55 mil no início deste ano, passou a ser aceita pelo PayPal, uma das maiores plataformas de pagamentos do mundo. A decisão foi um divisor de águas que facilitou o acesso de milhões de usuários aos ativos digitais. Recentemente, Elon Musk, anunciou que a Tesla passaria a aceitar pagamento em bitcoin na compra de seus carros elétricos. “Agora, você pode comprar um Tesla com bitcoin”, tuitou Elon Musk, CEO da empresa.

Elas se juntam a empresas como a Microsoft, que aceita a criptomoeda na compra de jogos; Twitch, plataforma de streaming de games; Amazon; as redes de restaurantes KFC, Domino’s e Subway em alguns países, além de companhias aéreas e sites de comércio eletrônico.

A próxima novidade é a entrada das criptomoedas nos chamados cashback, programas de fidelidade nos quais o cliente recebe de volta um percentual sobre o total de gasto no cartão de crédito. A Fintech brasileira Alter já anunciou uma parceria com a bandeira Visa num cartão cujo cashback será em bitcoins. Nos Estados Unidos, os cartões BlockFi Visa e Gemini Card também sinalizaram que lançarão em breve programas de cashback em bitcoin.

“Esses recentes movimentos sinalizam uma evolução no mercado de criptomoedas. O desenvolvimento desse segmento não depende somente da cotação dos criptoativos, que, aliás, seguem de vento em popa, mas também de aspectos como o acesso a produtos e serviços, quantidade de investidores e de aceitação no mercado”, afirma Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.