Videogames ajudam a tratar crianças hospitalizadas

Child´s Play, um fundo de caridade da indústria de videogames, está promovendo avanços na aplicação de tecnologias de forma criativa e estruturada para contribuir para o apoio social e emocional para crianças hospitalizadas.

Em 180 hospitais infantis de todo o mundo, a documentação dos trabalhos desenvolvidos por meio da iniciativa com games está revelando que especialistas em tecnologia de jogos têm papel relevante para a recuperação infantil em tratamentos que demandam internação.

“Há ocasiões em que tecnologias já existentes promovem saltos disruptivos em razão da coragem e da criatividade para testá-las em aplicações e usos novos”, afirma Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas. Ou seja, além de muito lucrativa, a indústria de games também tem espaço para ações positivas para a sociedade.

Mais do que apenas jogar

O Child´s Play publicou um guia de boas práticas para a implementação de programas de videogames terapêuticos para crianças hospitalizadas. A partir de pesquisa e testemunhos, o trabalho indica quais são os jogos adequados para cada idade, sintoma ou comportamento das crianças: dor, tédio (internação curta ou longa), ansiedade e hiperatividade, tristeza e deficiência cognitiva.

O desenvolvimento desse campo de aplicação dos videogames está crescendo e sendo qualificado. Nos dias 21 e 22 de setembro, o Hospital Pediátrico do Colorado (Estados Unidos) será a sede do segundo Simpósio de Tecnologia de Jogos Pediátricos.

Um dos pontos em discussão no evento será a capacitação dos especialistas em tecnologias de jogos para atuação no ambiente pediátrico hospitalar. Além de desenvolver habilidades para dialogar com as equipes médicas, o profissional terá uma série de desafios para tornar a experiência dos pacientes com os games uma solução e não um problema.

Segundo especialistas, para atuar nessa área, é necessário preparo para uma rotina de manutenção e atualização dos equipamentos – em salas de jogos e nos quartos individuais. Além disso, a criatividade é essencial para incluir todas as crianças na brincadeira, inclusive utilizando impressoras 3D para construir adaptações personalizadas nos controles dos videogames para que crianças com implicações motoras possam jogar.

Outra parte da rotina, ainda segundo a Child´s Play, é encontrar meios para que os videogames contribuam para a realização de exames e procedimentos que provocam medo nas crianças. Atualmente, há um primeiro movimento de utilização dos óculos de realidade virtual para entreter os pequenos durante procedimentos menores, como trocas de curativos e coletas de sangue.