Voyager 2 rompe limite do sistema solar e manda para casa sinal do espaço interestelar

Esta semana que termina foi marcada pela comprovação de um feito extraordinário da tecnologia espacial. Na última segunda-feira, dia 4 de novembro, um grupo de cientistas publicou na revista Nature Astronomy, a mais importante do mundo em sua especialização, um relato detalhado dos dados da sonda espacial Voyager 2, que saiu da área de influência do sistema solar e entrou no espaço interestelar. Ela se junta assim à sua irmã gêmea, a Voyager 1, o primeiro objeto produzido pela humanidade a romper essa fronteira há seis anos. A viagem da Voyager 2 começou 41 anos atrás, quando foi lançada pela Nasa, a agência espacial norte-americana. 

Pode-se pensar o sistema no qual vivemos como uma “bolha”, dentro da qual há uma relativa proteção das radiações cósmicas, afastadas pelos ventos emitidos pelo Sol. Isso significa que a passagem para o espaço exterior é conturbada, atravessando uma zona na qual há a competição entre influências internas e externas. E, para além desse limite, há sempre muitas dúvidas sobre a capacidade do equipamento continuar se comunicando com a Terra. No entanto, o artigo relatou que a travessia foi feita com sucesso. O sinal da Voyager 2, enviado para além da heliosfera (o nome técnico da “bolha”),  está sendo bem captado pela maior antena a serviço da Nasa, com 40 metros de diâmetro. Essa antena gigantesca é o único dispositivo capaz de apreender um sinal de 22,4 watts, equivalente a uma luz de geladeira, que chega à Terra um trilhão de vezes mais fraca do que quando é emitida 16 horas antes. A descrição da travessia foi muito mais precisa do que o da antecessora Voyager 1, que parece ter enfrentado mais turbulência no momento em que atravessava a zona intermediária. O instrumento da primeira nave para medir a concentração de plasma estava com problemas, e com a Voyager 2 os cientistas conseguiram dados muito mais detalhados da região. 

Uma questão sempre a ser discutida quando nos referimos à engenharia espacial é que, apesar de haver novidades a ser comemoradas, ela perdeu fôlego com o passar das décadas. As pesquisas hoje são muito mais aplicadas a atividades com finalidades práticas identificáveis, e a rede mundial de satélites faz parte do nosso dia a dia, comprovando sua eficácia a cada instante pela transmissão de informações em tempo real. No entanto, a curva de aprendizado que se desenhou nas décadas de 1960 e 1970 parecia prometer mais investimentos e consequentemente mais realizações nos dias de hoje. O final da pressão da Guerra Fria que opounha as potências espaciais Estados Unidos e União Soviética representou um alívio para as tensões nucleares que ameaçavam o planeta. No entanto, como contrapartida, arrefeceu também a corrida que impulsionava a conquista espacial. Hoje, comemoramos o sucesso de uma nave lançada em 1978, e com muita razão. Mas que  nos seja permitido sonhar com um futuro no qual os investimentos em ciência para fins pacíficos continuem tendo a mesma ênfase do que aqueles despendidos em tempos de tensões bélicas. 

Com informações: Nasa; Nature Astronomy; The Guardian; Superinteressante

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