WhatsApp obtém autorização do BC e relança serviço de pagamentos no Brasil

Foi o tempo de uma gestação. Nove meses após ser lançado e imediatamente suspenso pelo Banco Central, o WhatsApp Payments, função que permite fazer pagamentos pelo aplicativo de mensagens, começa a funcionar no País. Na verdade, por enquanto, ele possibilita fazer transferências de dinheiro entre pessoas físicas.

O serviço é similar ao Pix, o sistema de pagamento instantâneo lançado há cinco meses pelo Banco Central, está disponível 24 x 7 (24 horas por dia e sete dias por semana), a transferência é feita em tempo real e é necessário criar um PIN (uma senha, que, no caso do Pix, é chamada chave) ou usar o reconhecimento biométrico. A diferença é que a transação não é feita pelo app do banco.

Por enquanto, o serviço está disponível para quem tem cartão de débito, pré-pago ou combo (débito e crédito) com as bandeiras Visa e Mastercard e emitidos por um dos oito bancos que já aderiram à tecnologia. Outras instituições bancárias devem se cadastrar daqui por diante. “O app é enquadrado pelo Banco Central numa nova modalidade chamada de iniciador de transição. Isso significa que a instituição, no caso a subsidiária local do Facebook, pode viabilizar a movimentação de recursos, mas não pode conceder empréstimos ou financiamentos”, explica o especialista em tecnologias disruptivas, Arie Halpern.

Quase tão fácil quanto mandar uma foto

Em um áudio que circula nas redes sociais, Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, empresa dona do WhatsApp, comemora o (re)lançamento do serviço de pagamentos no Brasil. Ele diz que agora os usuários brasileiros têm uma opção para transferir dinheiro tão fácil quanto enviar uma foto pelo aplicativo de mensagens.

Porém, antes disso, para quem quiser usar a opção de pagamentos, é preciso inserir os dados e cadastrar o cartão no Facebook Pay, a plataforma de pagamentos integrada ao WhatsApp. Cada usuário pode fazer até 20 transações por dia, de até R$ 1 mil cada e até R$ 5 mil por mês. Segundo Zuckerberg, em breve será possível usar o serviço também no Facebook e no Instagram.

“A opção de pagamento por meio de apps de mensagens é salutar para ampliar a concorrência no setor e trará mais facilidade. A tendência é ter, cada vez mais, serviços integrados num único lugar, rede sociais, envio de mensagens, transferência e pagamentos num só ambiente”, diz Arie Halpern.

Segundo maior mercado do app no mundo, com 120 milhões de usuários, o Brasil deveria ter sido o primeiro país a dispor da opção de pagamento P2P (de pessoa para pessoa) do app. Mas, uma semana após o lançamento, em meados do ano passado, o serviço foi suspenso devido à preocupação da autoridade monetária quanto à segurança e à concorrência no setor de meios de pagamento. O primeiro lançamento acabou ocorrendo na Índia, onde o WhatsApp tem 200 milhões de usuários.

A disputa por oferecer novas funcionalidades e atrair ou fidelizar usuários de apps de mensagens é acirrada. Há poucos dias, o Telegram, que ganhou 25 milhões de usuários no ano passado, após o WhatsApp anunciar mudança em suas regras, anunciou uma série de novidades. O aplicativo lançou uma nova versão do recurso de pagamentos, melhorias no processador de vídeo e função de chat por voz, com possibilidade de agendamento, a exemplo do que já era oferecido para as mensagens de texto.

Batizado Pagamentos 2.0, o recurso permite aos usuários pagar por produtos ou serviços no próprio app, usando cartão de crédito. O pagamento é intermediado por um dos oito provedores cadastrados pelo Telegram (Stripe, Yandex.Money, Sberbank, Tranzzo, Payme, CLICK, LiqPay e ECOMMPAY).