Contingência da pandemia é chance para testar educação à distância em massa

A atual pandemia do novo coronavírus já fez 120 mil vítimas fatais nos Estados Unidos e perto de 50 mil no Brasil, os dois países mais atingidos até agora. Essa é uma tragédia sanitária como nenhuma outra já enfrentada pela nossa geração. É natural que quando estamos diante de uma situação tão excepcional como essa, e potencialmente tão perigosa, todos os recursos que temos à mão sejam usados para diminuir a transmissão da doença e seus efeitos sociais. E nunca a tecnologia foi tão exigida, atuando como base para modificar uma série de padrões de trabalho, de relacionamento e de diversão. 

Um dos casos mais emblemáticos ocorre hoje no setor educacional. Pela estratégia de isolamento social, instituições de ensino – de creches a pós-graduações – suspenderam as aulas presenciais, como forma de diminuir o ritmo dos contágios. No caso das universidades, nos planos de retomada dos governos regionais, elas estão colocadas como a última atividade a voltar à normalidade. Enquanto isso, o ensino superior vai se adaptando para massificar as aulas à distância, o EAD, por vezes de maneira mais planejada, outras ainda de forma um tanto improvisada. 

De qualquer forma, a tendência de adoção de ensino por conexão em rede já vinha se acelerando mesmo antes da covid-19 irromper. Dos cerca de 8 milhões de estudantes de ensino superior no Brasil, pouco mais de 2 milhões já estavam matriculados em modalidades online, que graças a novas ferramentas e ao aprendizado advindo com a própria experiência de sua implantação, vem obtendo resultados cada vez melhores, em alguns casos comparáveis à modalidade presencial. 

Com a contingência da pandemia, de uma hora para outra o processo de virtualização do ensino foi acelerado da maneira possível. Obviamente que isso não ocorreu pelos motivos que qualquer um de nós gostaria. No entanto, esse não deixa de ser um teste importante para essa forma de pensar o ensino que tem tudo para se desenvolver a passos largos nos próximos anos. Ainda não há uma resposta definitiva para questões importantes: saber quais cursos podem ser melhor adaptados às plataformas online, medir os impactos da sociabilidade no aprendizado, sem a presença física entre professores e alunos, e entre os próprios alunos. Seja qual for o resultado, as experiências adquiridas durante o surto do novo coronavírus não devem ser em vão, mas podem, sim, guiar os alunos, professores e gestores diante dos desafios e perspectivas do futuro da educação.